Nesse momento, mais alguns carros apareceram ao longe.
Os três direcionaram seus olhares, e o rosto frio e austero de Jackson ficou instantaneamente ainda mais gelado.
Era porque aqueles eram os carros da antiga mansão da família.
Thais foi a primeira a sair do carro, seguida por alguém que desceu do banco de trás, surpreendendo a todos...
"Vovô!"
Celina correu para ele, surpresa.
O efeito da medicação era bom; Genival já conseguia caminhar sozinho, sem precisar de ajuda.
Ele afagou a mão de Celina. "Não consegui falar com você esses dias, estava angustiado. Hoje, na hora do almoço, eu já ia à delegacia registrar um boletim de ocorrência, mas então..."
Ele olhou para Artur, que estava atrás da senhora idosa.
"...O administrador Zhao disse que sabia onde você estava e que iria trazê-la de volta, mas eu não confiei totalmente, então vim com a Thais procurar você."
Genival falou de forma educada.
Na verdade, o velho também tinha visto os posts na internet procurando por "Sra. Tavares". Quando ele chegou à porta da delegacia, Artur o interceptou, prometendo trazer Celina de volta.
Mas o velho já não confiava mais nos Tavares. Exigiu ir pessoalmente com eles procurar a neta; se não concordassem, ele continuaria com a polícia.
A família Tavares já estava sob pressão pública e, por isso, acabou cedendo ao pedido dele.
"Vovô, estou bem", disse Celina.
Thais percebeu que a garota não era mais calorosa como antes; até mesmo ao vê-la, não a cumprimentou.
"Se está tudo certo, então entrem no carro. Eu levo vocês de volta para a cidade."
"Vovó, eu ainda não terminei de conversar com ela", disse Jackson.
Genival respondeu com desagrado: "Depois de quatro anos de casamento, você fez Celina passar vergonha durante todo esse tempo. Ela nunca falhou com você, nem deve nada à família Tavares! Se não vai se divorciar, até quando pretende arrastá-la nessa situação?"
"Senhor, as coisas não são como o senhor pensa", respondeu Jackson.
O velho resmungou.
"Quem assinou a autorização de risco na internação? Sua esposa estava na UTI, em estado grave, e você estava com tempo para ir a festas com uma amante!"
"Uma situação dessas e ninguém me avisa. Deixam ela sozinha, lutando entre a vida e a morte! Jackson, você acha que, por não ter pai nem mãe, ninguém vai cuidar dela se ela morrer?!"
Celina hesitou, mas sem olhar para trás, ajudou o avô a entrar no carro da velha mansão.
O olhar sombrio de Jackson parecia querer destruí-la.
Thais olhou para o neto. "Se não cortar o mal pela raiz, só vai trazer confusão. Se continuar agindo como um garoto apaixonado, como vai recuperar a honra da família Tavares? Como vai salvar sua própria reputação?"
As palavras da avó eram, sem dúvida, para que ele tomasse uma decisão.
"Vovó, eu sei o que fazer!"
A maneira como Celina virou as costas foi ainda mais cruel do que tê-lo exposto publicamente no jantar.
Thais não insistiu mais, lançando um olhar frio para Alice, que estava ao lado de Jackson.
"Você já me decepcionou o bastante. Não se esqueça do que prometeu. Caso contrário, eu mesma resolvo."
Era tanto uma ameaça quanto um aviso.
Depois de deixar Celina e Genival de volta à cidade, Thais os deixou na praça central.
Longe de Genival, a senhora disse a Celina: "Por mais erros que Jackson tenha cometido, você está prestes a destruir os alicerces da família Tavares e todo o esforço dele durante esses anos. Será que a culpa foi minha, por ter confiado na pessoa errada, ou foi você que mudou?"

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