Ela queria mesmo era cravar uma faca no coração de Celina.
No entanto, Celina tapou o nariz com desdém.
"Você não sente um cheiro vindo de você?"
Alice não entendeu o que ela quis dizer. "Eu tomei banho."
Celina sorriu de leve: "Um cheiro podre. Sua mãe conhece bem esse cheiro."
Alice se irritou. "Minha mãe é sua mais velha, você não tem educação?"
Celina respondeu com frieza: "Eu estou para me divorciar do Jackson, quem ela pensa que é? Você, fruto de um descuido de cinto frouxo, quem te deu moral para vir conversar comigo?"
Alice nunca imaginara que Celina pudesse ser tão venenosa com as palavras.
"Eu estou com meu irmão há dez anos, já sou mulher dele, se for contar direito, quem é a outra aqui é você. Palavras tão feias assim devia guardar para si mesma."
"Dez anos e nem assim aprendeu o que é ‘legitimidade’. Parece que sua mãe só te ensinou a trilhar caminhos tortos."
Enquanto falava, Celina pegou o banco em frente ao espelho da penteadeira e o lançou em direção a Alice.
Alice se esquivou, e o banco quebrou a janela.
O barulho chamou atenção de Jackson.
Quando entrou, viu Celina pressionando Alice sobre a mesa, dando-lhe dois tapas no rosto.
"Irmão..."
Alice, ao vê-lo, desabou em prantos.
Jackson olhou para Celina, expressão inalterada. "Acabou de comer e já recuperou as forças?"
Celina largou Alice e olhou para sua própria mão com repulsa.
"Faz questão de trazê-la para me irritar, não é isso o que você quer ver?"
Jackson fez um sinal para Alice sair.
Alice enxugou as lágrimas e saiu.
"Pare!" disse Celina.
"O que mais você quer?" Alice fungou.
Celina sorriu de leve. "Minhas roupas, se eu não quiser, prefiro que virem pano de chão para cachorro do que deixar alguém como você tocar nelas. Tire agora!"
Os olhos de Alice se encheram novamente de lágrimas.
Não era encenação, ela realmente chorava por causa das palavras de Celina.
"Eu vou trocar agora."
Celina olhou para a mesa, onde havia uma pilha de folhas A4 espalhadas. Faltava uma página, como ela suspeitava.
Alice era esperta, mesmo apanhando, ainda pensava em como manipulá-la.
Jackson voltou ao escritório. Alice o esperava.
"Irmão, achei isso no quarto da Celina."
Era uma folha A4, com um esboço grosseiro do terreno da chácara e algumas marcações.
"Irmão, Celina brigou comigo e quebrou a janela de propósito. Ela quer fugir pela janela no meio da noite, quando não tem ninguém por perto."
Jackson não reagiu.
Nesse momento, João entrou.
"Diretor Tavares, a situação está complicada."
Jackson olhou para ele.
João se aproximou e disse: "Hoje de manhã, um blogueiro postou um vídeo questionando ‘Para onde foi a Sra. Tavares?’, e em menos de uma hora entrou nos assuntos mais comentados. Ainda bem que percebi rápido, mas..."
"Mas o quê?" O olhar de Jackson era profundo.
"Mas, mesmo apagando, outros continuam postando. Já coloquei gente para monitorar sem parar. Antes, quando a senhora causou confusão no jantar de aniversário de casamento, até saiu uns boatos, mas o vídeo não vazou. Agora, com a internet focando abertamente na relação de vocês, vai ser difícil explicar para o conselho e para os clientes."

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