-O quê!?- Os olhos de Emeriel se arregalaram, enquanto ele subitamente parava seus passos.
Aekeira assentiu, visivelmente tremendo. -O olhar nos olhos dele sempre que ele me encara me aterroriza, Em. Eu sei que ele não gosta de humanos, mas não entendo por que ele me odeia mais.
Os olhos de Emeriel se encheram de lágrimas, e ele limpou furiosamente a bochecha. Ele nunca se sentira tão impotente em toda a sua vida. -Eu não desejo isso para você, Keira. Eu odeio que isso esteja acontecendo.
Um sorriso lacrimoso adornou os lábios de Aekeira. -Bem, a alternativa é o Grande Lorde Zaiper, então eu suponho que tive sorte, certo?
-Os dois são escolhas erradas. Quando você escolheu se despir para o Grande Lorde Zaiper, eu notei uma emoção feia passar pelo rosto do Grande Lorde Vladya. Eu não consegui interpretar o que era, mas era... perturbador.
-Sim, isso...- Aekeira mordeu o lábio.
-Havia tantos escravos lá esta noite, por que você?- Emeriel se perguntou em voz alta. -Por que os grandes lordes te escolheram? Nossa sorte é fadada e cheia de infortúnio.
Aekeira, sempre sendo Aekeira, balançou a cabeça. -Não diga isso, Em. Nós vamos superar isso.- Embora a incerteza enchesse seus olhos. -Pelo menos você escapou deles esta noite.
Emeriel olhou para longe, sua voz cheia de resignação. -De que adianta quando, daqui a três dias, os escravos que não foram apresentados esta noite terão que servir à corte para a Festa do Tratado deles? Outros escravos sussurram que haverá outra apresentação naquela noite, e eu temo que eles estejam certos.
Aekeira mordeu o lábio ansiosamente. -Não vamos nos preocupar com o futuro ainda. O presente já é suficientemente pesado. Pelo menos seu segredo não foi descoberto esta noite, e nenhum mal lhe aconteceu. Isso torna o que acontecerá esta noite digno de ser suportado.
Emeriel permaneceu em silêncio enquanto chegavam à porta da alta corte. Algo em seu rosto chamou a atenção de Aekeira, fazendo-a parar. -O que aconteceu? Algo aconteceu, não é?
Emeriel hesitou, -Um lorde me inspecionou.
-O quê–
-Mas não se preocupe, irmã. Ele não me expôs, em vez disso, ele me deixou ir,- Emeriel concluiu, conseguindo sorrir. -Eu tive sorte.
-Verdade?- Os olhos de Aekeira se arregalaram. -Ele simplesmente te deixou ir?
Emeriel assentiu, aliviado ao ver a preocupação se dissipar dos olhos de Aekeira. -Graças aos céus! Eu estava preocupado-
-O que vocês dois estão fazendo aqui? Voltem para dentro!- um dos mestres de escravos latiu, olhando para eles, e eles voltaram apressadamente para dentro.
O restante do banquete prosseguiu tranquilamente. Emeriel não conseguia acreditar nos olhares invejosos que Aekeira recebia dos outros escravos enquanto a celebração continuava.
Como eles poderiam invejar algo tão cruel? Tão deplorável?
Ele desejava que aqueles escravos tivessem chamado a atenção dos grandes lordes em vez de sua pobre irmã, enquanto novas lágrimas surgiam em seus olhos.
•••••••••
Sem perceber, seus pés o guiaram para o único lugar na fortaleza onde ele poderia ficar sozinho sem ser perturbado.
Emeriel não conseguia entender de onde havia tirado coragem ou quando adquirira tamanha disposição para correr perigos, mas se viu viajando sozinho em direção às câmaras proibidas.
Ao chegar, Emeriel ficou aliviado ao ver que os soldados não estavam postados em seus postos. O corredor estava deserto, mas ao contrário de alguns dias atrás, a porta de carvalho agora estava firmemente trancada.
Emeriel afundou no chão contra as grades de metal e começou a chorar.
Nenhum som saiu de dentro, mas Emeriel sabia em seu coração que a besta estava lá. Ouvindo sem compreender.
Mas naquele momento, ele não se importava, Emeriel só precisava desabafar.
-Agora, pensando melhor, começo a acreditar que talvez não seja tão terrível se você acabar com a minha vida,- Emeriel sussurrou suavemente, sua voz tremendo. -Talvez a morte seja mais suportável?
Ele suspirou, lágrimas escorrendo por seu rosto. -Eles machucaram minha irmã naquela corte, e não foi o suficiente. E agora, ele quer machucá-la de novo, durante toda a noite.
-E não termina aí. Antes que a quarta noite termine, eu tenho que me encontrar com um lorde, caso contrário, ele não manterá meus segredos. Como se isso não bastasse, em breve hoje se repetirá novamente. Outra apresentação de escravos.- Emeriel deitou a bochecha no chão frio, soluçando.
-Eu não acho que tenha tido uma noite de sono tranquila desde que fomos trazidos para cá, vossa alteza. Pois vivo com medo constante. Medo da descoberta. Medo de ser espancado. Subjugado. Medo de ser tratado como um animal. Eu não sei mais o que fazer, grande rei.- Sua respiração tremia sobre o chão gélido, enquanto ele tentava suprimir seus soluços.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...