Kelvin tremia, depois cuspiu no chão. -Vamos.- Ele virou nos calcanhares e saiu correndo.
Zaiper seguiu, sorrindo.
Mas o humor estava desaparecendo. As ruas estavam cheias de corpos - muitos corpos de vampiros e alguns lobisomens, mas não um único Urekai. Como meu plano desmoronou tão severamente? Alguém me traiu.
Eles viraram a esquina, entrando em um corredor estreito, meio desabado pela escaramuça.
-Iremos pelo bairro Norte-, murmurou Zaiper. -Há uma entrada de túnel além dos arquivos
-Não-, Kelvin rosnou. -Por aqui. Está limpo. Acabei de passar por aqui.
Zaiper estreitou os olhos. -E como você sabe exatamente que é—
-Confie em mim, ou encontre seu próprio caminho maldito-, rosnou Kelvin.
Zaiper conteve sua resposta. Eu vou matá-lo assim que recuperar minha força.
Ele seguiu. O corredor estreitou.
Silêncio absoluto. Muito silêncio.
Então, uma sombra se desprendeu da parede.
Uma figura alta e escura entrou em cena, envolta em sombras. O estômago de Zaiper afundou.
Azrael.
Maldição. Maldição.
Zaiper fugiu.
Azrael não o perseguiu.
Zaiper partiu para o caminho arborizado, coração martelando, pés martelando mais forte. À frente, Yaz apareceu de trás de uma árvore, espada desembainhada. Zaiper desviou bruscamente, amaldiçoando, virando na direção oposta. Ele estava correndo às cegas, mas conhecia aquelas florestas como a palma de suas mãos. Ele cresceu nelas.
Maldito vampiro. Ele o levou direto para o massacre. Ele nunca deveria ter vindo esta noite - não em seu estado enfraquecido, não sob uma lua de eclipse sugando a força de seus ossos. Mas ele só precisava se manter escondido até de manhã. Então, ele encontraria uma maneira de se reagrupar e se levantar novamente.
Ele alcançou um de seus antigos esconderijos, uma pequena saliência na floresta, sua cavidade oculta por raízes e pedras. Era familiar e seguro.
Mas os pelos de seus braços se arrepiaram. Sua besta se agitou - com medo. A sensação de presa.
Você está sendo caçado.
Zaiper ficou rígido. -Quem diabos está aí?!- ele latiu, a voz subindo. -Eu sou um Alfa! Como você se atreve a me caçar?!- Suas presas se mostraram. -Apareça! Enfrente-me agora mesmo!
Nada. Apenas vento e pássaros. O farfalhar das árvores.
Essa era a pior parte de ser presa: não ver o que te caça. Não ouvir.
-Pare de se esconder, covarde!- ele rugiu, girando. -Me enfrente!
As florestas ficaram em silêncio. Até os grilos pararam.
Corra! seus instintos gritaram. Corra, agora mesmo!
Ele partiu novamente, se esquivando, zig-zagueando entre as árvores. Ele se movia como uma sombra, invocando cada tática de sobrevivência que conhecia - se escondendo atrás de troncos, voltando atrás, rastejando por entre raízes. Não adiantou. Aquela sensação de formigamento não desapareceu.
A presença atrás dele não diminuiu, não importa o que ele fizesse. Na verdade... ela se aproximou.
Daemonikai.
Apenas ele poderia caçá-lo assim. Como se Zaiper fosse imundície. Como se nem merecesse ser capturado honrosamente. A raiva ferveu - mas o medo venceu. Daemonikai o mataria. Ele vai me matar.
Ele foi puxado para trás. Arremessado contra uma árvore. Com força.
Sua visão girou. Ali, a centímetros de seu rosto - calmo como as estrelas, mortal como um deus - estava Daemonikai.
-Quando se trata de proteger nosso povo de você e seus aliados sanguessugas,- Daemonikai disse, circulando-o como uma pantera, -eu teria aberto as portas para as bruxas dos Ermos Orientais se isso significasse manter meu povo seguro.- Ele juntou as mãos atrás das costas. -Na verdade, convidar os lobisomens foi uma das minhas melhores decisões.
-Com certeza foi,- rosnou Azrael atrás dele.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...