Este século será lembrado como aquele que testemunhou sua maior fúria. Poderia passar um dia sem ela ferver de raiva?
A Senhora Sinai marchou mais perto do corredor em ruínas da mansão, onde a voz de Zaiper ressoava como um fogo rugindo.
Eles estavam se escondendo - novamente - em uma das muitas mansões abandonadas espalhadas pelos territórios externos. E hoje, ele estava fervendo.
-Cinquenta soldados!- Zaiper rugiu. Vidro se estilhaçou contra a parede. -Cinquenta soldados treinados e capazes!
Sinai parou do lado de fora da porta, pressionando-se contra a parede, ouvindo.
-Investi séculos de ouro, suor e planejamento para construir você e seus homens, preparando você para a guerra enquanto o resto do reino dormia.- Outro estrondo, outro objeto quebrado. -Treinei todos vocês em silêncio enquanto o mundo fechava os olhos. Meus soldados. Meu esforço. E o que isso me deixou? Um monte de cadáveres! Tudo por uma missão - uma missão - para matar uma fêmea humana!
A fúria em sua voz subiu. Outra explosão de som seguiu... algo mais pesado desta vez, talvez madeira se partindo.
-COMO ISSO FAZ SENTIDO!?
Sinai apertou os lábios firmemente. Ele estava se descontrolando. Completamente desequilibrado.
-Quase conseguimos capturar a garota,- Kady, o soldado que parecia estar substituindo Razarr, disse. -Mas o Grande Rei chegou. E não só ele - o terceiro governante também. Vi acontecer de longe. Nossos homens não tiveram chance.
-Cinquenta guerreiros treinados,- Zaiper cuspiu. -Armados com frascos letais capazes de derrubar nossa espécie. E nenhum deles conseguiu derrubar dois machos?- Sua voz mergulhou em um rosnado silencioso e ameaçador. -E quanto a você, Kady? Se escondendo em uma colina, assistindo seus camaradas morrerem, então voltando aqui com nada além de sua vida inútil. Sem cadáver. Sem captura. Sem inteligência. Nada.
-Mas, meu senhor—
Um tapa alto e o som de um corpo atingindo o chão.
Sinai recuou. Ele realmente perdeu o controle. O que diabos eu estava pensando, vindo a ele em busca de proteção? Esse macho está louco!
-Não tenho exército!- Zaiper marchou com força pelos assoalhos rangentes. -Um rei sem trono! Sem soldados! Inútil!- Ele exalou asperamente. -Pelo menos, me diga que ela foi danificada. Que algo aconteceu com a abominação crescendo dentro dela.
-Um dos nossos a machucou antes do Grande Rei chegar,- veio a voz de Kady, baixa.
-Agora, esse é o tipo de notícia que eu—
-Mas... o Grande Rei chegou antes que algum dano duradouro pudesse ser feito.
Algo pesado foi jogado no chão.
-Seus homens são inúteis. Todos eles. Agora não passam de um bando de cadáveres inúteis e apodrecidos. Razarr teria tido sucesso. Ele não teria me decepcionado.- Outra pausa. -Me diga, Kady, como alguém como ele está morto... e você ainda está vivo?
-Peço desculpas, Vossa Majestade,- veio a resposta sem emoção.
Sinai estreitou os olhos para a porta. Zaiper estava além do instável. Ela não conseguia decidir se ele era aterrorizante... ou patético. Talvez ambos.
Este é o macho com quem me associei? O que diabos eu estava pensando?
Kady falou novamente. -Se me permite fazer uma sugestão…
Uma respiração profunda e zangada - um esforço para encontrar calma.
-Considerando o quão vazio está lá em cima, você pode tentar.
-Digo que nos preparemos para a noite do eclipse,- disse Kady. -A lua quarto é muito frequente; estará aqui a qualquer noite. Fazemos tudo como fizemos há cinco séculos - usamos o mago das trevas para vislumbrar a noite do eclipse, atacamos rapidamente, roubamos o Cálice para que não possam se defender, e então matamos tudo o que quisermos. Todos que eles amam. Desta vez, o Grande Rei morre. Assim como o Grande Senhor Vladya. Nós acabamos com isso.
Zaiper ficou em silêncio por um momento.
-Há um problema com esse plano, não acha, Kady?- ele disse finalmente. -Primeiro, não tenho mais exército para ir à guerra. Segundo, já usei todos os meus créditos com o mago das trevas. No passado, era mais fácil conseguir favores porque ele me devia a vida. Tínhamos um pacto de sangue - termos específicos e favores limitados, todos medidos cuidadosamente contra o custo de sua magia. Esse equilíbrio agora está pago na íntegra.- Um suspiro pesado. -Você está ciente do preço da magia para revelar informações significativas sobre o futuro?
-Sangue?
-Sangue,- Zaiper afirmou. -O sangue de um nobre, para ser preciso.
Kady ficou em silêncio.
-Se fosse no passado, quando o reino ainda estava alheio aos nossos movimentos, teria sido mais fácil sequestrar alguém de nobre nascimento,- continuou Zaiper. -Mas agora? Tudo está fortificado. Toda fronteira trancada. Só chegamos a Ravenshadow da última vez por causa da ajuda de nosso espião - ajuda que agora está queimada. Eles terão dobrado suas defesas. Me diga, Kady, onde você supõe que encontrarei um nobre para sangrar?
A Senhora Sinai balançou a cabeça, se endireitando. Sem seu título, seu exército ou seu ouro, ele não é nada. Desorganizado. Impotente. E claramente deslizando.
Ela deveria ter saído no momento em que sentiu isso. Ainda não é tarde para isso.
Sinai virou, dando um passo.
-Ela tem suas razões para não fazer isso,- disse Zaiper, displicente. -Sinai e eu temos uma longa história. Ela sabe melhor do que me desafiar. Ela sabe do que sou capaz.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...