Sangue jorrou de seus lábios, e um grito estrangulado rasgou de sua garganta. Ela se dobrou, uma mão agarrando seu lado, sangue manchando a frente de suas vestes.
O pulso de Daemonikai ecoava em seus ouvidos.
Devagar, ele se levantou de seu trono, e Ottai também - mas ninguém interrompeu. Um silêncio mortal ecoava no salão.
A Oráculo endireitou-se, tremendo. Seus olhos pálidos encontraram os de Daemonikai.
-Nunca foi o jovem Alvin, mas magia negra plantada em sua mente-, ela disse roucamente. -Nossa gente caiu sob as lâminas dos humanos, sim - mas foi um de nós que os trouxe aqui.- Outro grito agudo enquanto ela agarrava o peito, cambaleando. -Um de nós roubou o Cálice... para que nossa gente ficasse fraca...indefesa-, ela ofegou.
Daemonikai não conseguia respirar. Ou talvez estivesse respirando rápido demais. Ele não estava certo.
Seus pulmões ardiam como se privados de ar, mas em seus ouvidos estava o som áspero de sua própria respiração.
Isso não é real. Isso não pode ser real.
Eles ecoavam em sua mente como um cântico enquanto ele encontrava os olhos de Vladya. Então de Ottai. Então os rostos atônitos e pálidos de seu povo.
E então... a Oráculo sangrando diante de todos.
A Oráculo sangrando, que nunca interferiu, nunca ultrapassou o limite de seu juramento sagrado. E ainda assim, aqui ela estava, disposta a arriscar tudo - seus votos, sua vida - apenas para entregar uma verdade que não parecia real. Mas era.
Lá fora, a confusão continuava. Os sons do combate ecoavam fracamente no grande salão. O choque de aço, os rosnados de bestas, os gritos de homens. A batalha não estava diminuindo, estava piorando.
-Não posso entrar em detalhes-, a Oráculo ofegou, segurando seu cajado com uma mão trêmula, a madeira escorregadia com o sangue que escorria de suas pontas dos dedos. -Já... minha vida se esvai, então usarei o pouco que resta para lhe dar os nomes dos responsáveis. O mentor que traiu os seus.
Um alto bang! cortou o ar, chamando a atenção de todos para a grande entrada.
As portas grossas tremeram. As trancas de ferro gemeram enquanto se moviam sob o impacto.
Outro bang! seguiu, mais alto desta vez. As portas tremeram novamente.
O terceiro foi um brutal e ensurdecedor crash! e ele espatifou a madeira pesada, as tábuas da barricada se partindo e se espalhando pelo chão.
-Quem se atreve a fazer isso!?- Daemonikai rugiu. -Pare com isso imediatamente!
Uma besta entrou pela porta quebrada, rosnando enquanto se transformava. Ossos se quebraram, músculos encolheram, e um homem ficou em seu lugar.
De alguma forma... Daemonikai já sabia.
Pela força da confusão e pela audácia de invadir o salão do evento - mesmo quando ordenado a não fazê-lo, de alguma forma, ele sabia que seria Zaiper.
-Não acredite nas mentiras daquela velha enrugada!- Zaiper latiu avançando, furioso, os olhos faiscando.
-Zaiper, qual é o significado disso?- Vladya rosnou.
Daemonikai olhou para ele. Havia medo nos olhos de Vladya.
Não confusão, não indignação. Medo.
Porque as palavras da Oráculo estavam se juntando. E faziam sentido.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...