PRINCESA EMERIEL
Emeriel acordou com um peso no peito que nada tinha a ver com o peso de sua gravidez. Ela se esticou para aliviar a dor nas costas, suspirando. Com cinco meses, seu corpo começava a sentir a tensão de verdade. No entanto, não era seu corpo que a preocupava esta manhã.
Ela tinha um pressentimento ruim.
A manhã passou, os serviçais chegaram para ajudá-la a se banhar e se vestir, mas o sentimento não desapareceu. Ela se disse que não era nada. Não era incomum que Daemonikai se atrasasse. Suas obrigações muitas vezes o mantinham mais tempo do que o esperado.
Mas o sentimento não a deixava.
Ela tentou se distrair. Lendo na biblioteca, cuidando do jardim, passeando pelas plantações. Mesmo o tempo passado com Aekeira trouxe pouco alívio. Eventualmente, ela desistiu completamente e foi para Blackstone confrontar o Grande Senhor Vladya.
Ela hesitou brevemente antes de bater na porta de seu escritório.
-Entre-, veio a voz profunda e familiar.
Emeriel entrou, encontrando o grande senhor atrás de sua mesa, os olhos estreitos sobre o pergaminho em sua mão. A ruga em sua testa suavizou ligeiramente quando ele a viu.
-Emeriel.- Ele colocou o pergaminho de lado, levantando-se suavemente. -Por favor, entre.
Ele se aproximou dela, a ajudando a se sentar em uma das almofadas.
Ela corou levemente. -Obrigada, meu senhor.
-Está tudo bem?
-Sim, sim, está tudo bem. É só...- Ela limpou a garganta, alisando a mão sobre o tecido esticado em sua barriga. -Não ouço falar de Daemon há dias. Estou... preocupada.
-Não precisa ficar-, ele disse após uma pausa. -Você sabe como são suas obrigações. Não seria a primeira vez que o mantiveram longe da Cidadela por muito tempo, não há com o que se preocupar.
-Eu sei, fico me dizendo isso.- Ela se remexeu. -É só... ele me disse que seria uma jornada curta. Um dia, talvez dois. E quando há atrasos, ele costuma mandar notícias. Nem sempre, mas com frequência suficiente.- Sua voz baixou. -Tenho um pressentimento ruim.- Ela olhou para ele. -Tenho certeza de que ele está bem. Só... preciso ouvir dele.
Os olhos de Vladya caíram, os ombros se tornando sutilmente tensos.
Foi a menor reação, mas Emeriel havia aprendido há muito tempo que com ele, até os menores movimentos falavam volumes.
Ela se endireitou um pouco. -Você sabe de algo, não é?
Ele se agachou diante dela até que estivessem olho a olho. -Apenas que ele está atrasado. Você ouvirá falar dele em breve. Não deixe isso te preocupar. Ele está bem.
Antes que ela pudesse pressioná-lo mais, a porta se abriu. -Estou realmente preocupado que esse episódio selvagem ainda persista. Daemon está...- O Senhor Ottai parou, vendo-a. Alarme brilhou em seus olhos.
Emeriel o encarou, sua mente captando as palavras que acabara de ouvir. -Episódio selvagem?- Sua testa se franziu em confusão. -Que episódio selvagem?
O Quarto Governante empalideceu, seus olhos se voltando para o Senhor Vladya em um pedido desesperado de ajuda.
O olhar de Vladya foi afiado o suficiente para matar.
O Senhor Ottai corou como um jovem pego roubando moedas da bolsa de sua mãe.
-O que eu queria dizer,- ele gaguejou, -era que o macho selvagem Daemonikai visitou ainda está... bem, ele está demorando mais para sair de seu episódio do que o esperado, é por isso que o Grande Rei está atrasado.
A testa franzida de Emeriel se aprofundou. -O Grande Rei foi para Crystal Waters para supervisionar as novas terras que adquirimos.
-Claro, claro.- O Senhor Ottai assentiu rápido demais. -O que eu queria dizer era... em seu caminho de volta, ele parou para verificar... uh... um macho que estava selvagem. E... e... é por isso que ele ainda não voltou.
O silêncio era constrangedor.
O que o desconfortável quarto governante sentiu-se obrigado a preencher. -O que eu queria dizer era que ele, hum... Vladya,- ele sibilou para fora do canto da boca. -Me ajude aqui!
-Me ajude...- Emeriel se levantou, seu coração começando a acelerar. -O que está acontecendo?
-Nada. Não ouça Ottai,- Vladya disse entre dentes cerrados, se levantando. Ele lançou outro olhar letal para o Senhor Ottai. -Você sabe como ele é - em alguns dias ele age como se Morina o alimentasse demais, em outros ele está tão sobrecarregado por seus deveres que não faz sentido.
-Vladya está certo,- concordou o Senhor Ottai. -Eu não dormi o suficiente na noite passada.
-Não.- Emeriel balançou a cabeça, embora sentisse que estava muito leve em seu pescoço. -Algo está errado. Eu sinto.
Ela tentou manter seu pânico à distância. Pressionou a mão no peito para acalmar as batidas descontroladas de seu coração, mas não estava funcionando. -Nosso vínculo pode estar adormecido, mas eu sei! Me diga o que está acontecendo. Agora.
-Você está escondendo algo!- ela gritou, virando-se, recuou, ainda esfregando o peito. Ela lutava para respirar. -Me diga... me diga!
Ela forçou seus olhos pesados para ele. As respirações altas e ofegantes na sala... eram dela?
-Bom. Eu não faço ideia do que estou lidando aqui. Você vai me ajudar, sim? Daemonikai vai nos matar se algo der errado,- suspirou Vladya.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...