EMERIEL
Emeriel foi designada para limpar os pisos do anexo.
Era um trabalho monótono, mas ela estava grata, mesmo assim. Era muito melhor do que passar o tempo na taverna.
Após completar o primeiro e o segundo andares, Emeriel se viu no terceiro andar.
Como ainda não havia se familiarizado com todos os corredores e seus destinos, ele ficou surpreso quando descobriu para onde levava o piso que estava limpando.
Ela reconheceu as pinturas familiares e os corredores sombrios.
A quarta ala.
As câmaras proibidas estavam dentro daquele segundo corredor. Arrepios percorreram seus braços.
Apenas limpe esse corredor o mais rápido possível e acabe com isso. Quanto mais cedo, melhor.
Emeriel segurou firmemente sua vassoura feita de galhos amarrados e retomou seu trabalho. As cerdas varriam as pedras frias, levantando nuvens de poeira. Conforme avançava, ela usava pedaços de roupa para limpar enquanto seguia em frente.
Ao chegar às câmaras proibidas, ela parou ao notar a ausência de soldados e bandejas de comida intocada espalhadas pelo chão.
Por que este lugar está tão deserto? Era de manhã, o Grande Senhor Vladya estava na corte, então não havia motivo para os soldados estarem ausentes. Talvez a besta tenha sido realocada?
Emeriel não resistiu. Suas pernas se moveram instintivamente até que ela chegou às imponentes portas de metal. Um suspiro escapou dela, e deu dois passos para trás.
A porta de carvalho estava escancarada, e atrás dela, os olhos da besta se fixaram em Emeriel.
— Eu poderia sair - ela sussurrou em voz alta.
— Eu poderia sair deste corredor e fingir que já terminei minha limpeza.
Balançando a cabeça, ela observou ao redor, e qualquer esperança de sair desapareceu.
As duas pinturas penduradas nas paredes estavam cobertas de poeira, e a parede de pedra precisava ser limpa minuciosamente. A cabeça de leão no final do corredor parecia igualmente negligenciada. E o próprio chão...
Ela mordeu nervosamente o lábio, lançando outro olhar para a besta.
Ela permanecia imóvel, seu olhar fixo nela. Seus olhos amarelos, antes preguiçosos, agora estavam bem abertos.
Emeriel esperou e esperou, e quando ficou evidente que a besta não o atacaria, ela começou a relaxar e começou sua limpeza.
Ela ocasionalmente lançava olhares furtivos para a besta. Além daqueles olhos amarelos penetrantes acompanhando todos os seus movimentos, não havia outro movimento.
Chegou a um ponto em que Emeriel quase esqueceu da feroz criatura atrás das grades e ficou absorvida em seu trabalho. O som das vassouras e o ocasional tilintar de metal contra pedra preenchiam o ar.
— O que você está fazendo aqui, escravo? Tem um desejo de morte?
A cabeça de Emeriel se virou para um soldado Urekai parado diante dela, encarando-o.
— Fui designada para limpar este corredor.
— Humanos tolos querendo morrer - o soldado murmurou baixinho.
— Tudo bem. Mas seja rápido e saia imediatamente.
Não é um problema, seu tolo.
—Entendido. Para que são esses pratos?
— Comida para o grande rei. Ordens do terceiro governante. Assim que ele terminar na corte, ele virá para atender. Não toque em nada.
O Grande Senhor Vladya alimenta a besta?
— Por que ele precisa estar presente para a besta comer? Não poderiam levar a comida e deixar a criatura devorar?- Emeriel estava certa de que havia carne crua entre as ofertas que ela poderia desfrutar.
— Às vezes, o fera se recusa a comer. Alguns soldados pereceram tentando fazê-lo se alimentar - O soldado encarou Emeriel com autoridade.
— Ignore as bandejas e concentre-se em suas tarefas, escravo.
—-Como quiser senhor - Emeriel inclinou a cabeça, e então retomou sua limpeza enquanto o soldado murmurava se afastando.
— Você pode escolher não enchê-la com seu elixir enquanto se alimenta dela.
— Hummm - Zaiper fingiu ponderar a ideia antes de outro sorriso surgir.
— E onde está a diversão nisso?
Ottai suspirou profundamente, resignado.
— Você está além da redenção, Zaiper. Você só pensa em si mesmo.
Zaiper o dispensou com um gesto.
—Quanto à próxima apresentação, teremos duas sessões. A primeira ocorrerá no banquete. É possível que não consigamos apresentar todos os escravos naquele dia específico. Portanto, a segunda introdução está agendada para acontecer quatro noites após a apresentação inicial.
Ottai balançou a cabeça.
— A cada ano, perdemos o que resta de nossa alma. Nós, os grandes senhores, deveríamos estar nos esforçando para unir nosso povo, para colocá-los no caminho certo novamente, em vez de permanecermos nas profundezas do nosso desespero. Daemonikai não ficará satisfeito com o que nos tornamos.
A mão elegante de Vladya, movendo-se ritmicamente contra o pergaminho, parou. Ele não olhou para cima ou reconheceu a declaração de Ottai, mas sua mão permaneceu imóvel por vários segundos antes de retomar seus rabiscos.
Enquanto isso, Zaiper afastou as preocupações de Ottai.
— Bem, é lamentável que o grande rei esteja morto, mas os vivos precisam seguir em frente. Não há absolutamente nada de errado com nossas vidas agora. Este é o modo como nosso povo sempre deveria viver.
Ottai o encarou.
— Os humanos não são apenas maus, eles são inferiores a nós. Eles nos servirão por toda a eternidade - Ele sorriu.
— Estou ansioso por esta apresentação - Os olhos brilhavam do Grande Senhor Zaiper.
— Há um escravo em particular que me interessa.
— Deixe-me adivinhar, os reais humanos que trouxemos? Os irmãos?- Ottai questionou.
— Você acertou, Ottai. O rapaz é bastante atraente, mas a garota... é uma visão quando está despida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...