Até algo tão simples como respirar soava estrondoso no silêncio.
Vladya encarou Daemonikai como se tivesse perdido a cabeça. Aekiera refletiu a mesma expressão exata, enquanto Emeriel inspirava ofegante.
Dizer em voz alta tornou real - até para Daemonikai.
-Não posso acreditar nisso,- Daemonikai balançou a cabeça maravilhado, olhando diretamente para Vladya, ele repetiu, -Você vai ter um filho.
Seu amigo estava rígido como uma tábua.
-Se isso é algum tipo de brincadeira, não é uma particularmente divertida, Vossa Graça,- voz tensa de raiva, Vladya olhou fixamente. -Eu sei que você tem lutado, Daemon. Eu vi, e não te culpo por isso. Mas nem todo pensamento sombrio que entra em sua mente deve ser dito em voz alta.
Daemonikai revirou os olhos. -Você terminou?
A mandíbula de Vladya se contraiu ainda mais. -Sim. Acabou. Aekeira, vamos embora.
Agora, Daemonikai estava furioso. Num piscar de olhos, ele agarrou Vladya pela gola e o empurrou para trás, fazendo-o cambalear um passo.
Daemonikai estava nele novamente, segurando sua túnica e o empurrando contra a parede mais próxima. Ele pressionou-se no espaço de Vladya até não haver mais espaço entre eles.
-Olhe nos meus olhos,- rosnou Daemonikai. -Olhe bem para mim e me diga se, mesmo nas profundezas da loucura, e as vozes ecoando em meu crânio, fazendo meu maldito nariz sangrar, você honestamente acredita que eu brincaria sobre algo assim?
A fúria de Vladya queimava ainda mais. Seus olhos faiscavam amarelo.
Aquele arrogante, poderoso bruto - sua besta - que preferiria lutar a acreditar, estava tentando forçar uma transformação.
-Daemon, espere...- A voz de Emeriel veio suave e incerta. Confusa.
-Recupere o controle, diga à sua maldita besta para se acalmar,- rosnou Daemonikai, sem desviar o olhar. -Olhe além de sua raiva, pense - e me diga, você realmente acredita que eu sou tão sem coração a ponto de mentir sobre isso? Sua mulher está grávida. Há um leve cheiro de osmanto e lírio nela. Você vai sentir daqui a alguns dias, mas por enquanto, tão cedo como é, apenas eu posso.
O fôlego de Vladya o deixou em um arrepio. Sua raiva permaneceu - flamejante, crepitante na tempestade cinza e amarela de seus olhos - mas sob ela, Daemonikai viu esperança.
Dolorosa, desesperada esperança.
-M-mas só tivemos um cio completo,- a descrença de Vladya mal era audível. -Ninguém concebe sem um vínculo de acasalamento. E certamente ninguém concebe após apenas um cio.- Uma dor aguda, que seu amigo agora permitia que ele visse, era evidente nos olhos de Vladya. -Por que você diria algo assim
-Eu estava...
A interrupção suave os fez parar.
Eles se viraram juntos, seus olhares pousando nas mulheres.
Emeriel estava pálida, olhando para Vladya hesitante. -Você perguntou quem fica grávida fora de um vínculo de acasalamento, após apenas um cio completo... Eu fiquei.
Daemonikai assentiu uma vez, firme. -Sim. Minha fêmea ficou. Quem dirá que é impossível para a irmã dela?
Silêncio.
Os lábios de Aekeira se abriram, mas nenhum som saiu de início. Seus olhos caíram para a barriga, os dedos trêmulos pairando logo acima da superfície plana, como se tocá-la tornasse demais real.
-Eu estou... grávida?
-Você está. Parabéns, pequena.- Daemonikai disse. -Agora só precisamos fazer seu macho acreditar, para que possamos parabenizá-lo também.
Vladya permaneceu congelado, respiração superficial. -Mas não é possível.- Olhando entre Daemonikai, Aekeira e o chão, ele parecia completamente arrasado. -Quero dizer... sou eu. Coisas assim não acontecem com eu.

Daemonikai viu o exato momento em que afundou. O exato momento em que finalmente se estabeleceu nele que nada disso era uma brincadeira. Que Aekeira realmente estava grávida. Que ele ia ser um pai.
-Aekeira, você está carregando... você está carregando meu filho?- Vladya parecia atordoado. Perdido. Maravilhado.
Ambos os joelhos de Vladya atingiram o chão com um baque. Agarrando-a pela cintura, ele a puxou mais perto de forma trêmula e enterrou o rosto contra sua barriga. Cheira. Cheira. Cheira.
Ele olhou para Aekeira. -Não consigo sentir nada... eu,- Cheiracheiracheiraaaaa.
Talvez fosse a garota, ou os rituais, ou ambos, mas pela primeira vez em tanto tempo, Daemonikai viu Vladya... assim.
VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...