Aekeira virou a cabeça bruscamente.
— O que há de errado? Alguém... aqueles mestres foram cruéis com você?
Emeriel hesitou. Mas sempre foi difícil mentir para Aekeira.
— Não ambos. Um deles... um deles mostrou interesse em mim.
Sua irmã congelou, o medo se acumulando em seus olhos, a preocupação substituindo o cansaço.
— Oh, meu Deus...
— Não precisa se preocupar - Emeriel foi rápido em acrescentar. Entristecida por aqueles olhares, ela tentou fazê-la se sentir melhor.
— Ele ainda não agiu sobre suas vontades. Eu lembrei a ele que pertenço a um grande senhor, e isso o fez cauteloso.
— Nada pode fazê-los ser cautelosos, Em. Você não precisa mentir para mim. Eu entendo que nem sempre posso te proteger, mas me parte o coração pensar que, depois de tudo o que você passou com a besta, não muito tempo atrás, algum mestre inútil está de olho em você novamente - Os olhos cheios de tristeza de Aekeira queimavam de raiva.
— Talvez eu devesse envenená-lo.
Emeriel ficou tão surpreso que por um minuto inteiro não conseguiu formar palavras.
— Não! Não faça isso. Você esqueceu das consequências de matar um mestre!? Você seria açoitada, torturada. Queimada viva!
— Alguém tem que ser pego primeiro - Aekeira ergueu os ombros teimosamente.
— Nada permanece escondido sob o sol. Além de suas investigações, essas pessoas são Urekai, não humanos. Eles possuem sentidos aguçados e inúmeros artefatos mágicos que poderiam rivalizar até mesmo com os magos. Você seria pega - Emeriel implorou.
Se começassem a matar cada mestre de escravos que os maltratasse, quantos teriam que matar? Isso se tornaria um ciclo interminável de violência. Quanto tempo levaria até que sua própria humanidade desaparecesse e se transformassem em monstros?
— Nós somos escravos, Aekeira - Emeriel falou suavemente, sua voz cheia de resignação enquanto continuava a desembaraçar os cabelos dela com a escova.
— Este é o nosso destino.
Um silêncio pesado se instalou entre elas.
— Normalmente essa é a minha fala, Em. Sou eu quem geralmente fala de desespero e aceitação
- a voz de Aekeira tremeu.
— Você sempre foi aquela que oferecia palavras encorajadoras, dizendo todo esse absurdo sobre fé e esperança.
— Sim - Emeriel concordou. Mas quando se tem um segredo tão pesado, quando o corpo passa por mudanças estranhas, foi brutalmente montado por uma besta selvagem, manuseado com violência e chicoteado com um chicote espinhoso, era natural se sentir tão exausta.
— Estou tão cansada, Keira - ela manteve a voz firme e leve. Sua irmã não podia saber o quanto ela estava se despedaçando por dentro.
No entanto, Aekeira, sempre perceptiva, se levantou novamente, virou-se e a puxou para outro abraço reconfortante. Emeriel foi facilmente, abraçando-a apertado enquanto respirava o cheiro familiar dela.
Aekeira sempre cheirava como a mãe delas. Era reconfortante.
Até que a mão de Aekeira pressionou contra suas costas, aplicando pressão sem querer em sua ferida, enviando uma pontada aguda de dor por seu corpo. Emeriel se contorceu, gritando de dor.
— Especialmente em uma noite como esta, quando estou achando tão difícil continuar sendo forte, Kiera.
— Me desculpe profundamente, Em. Estou aqui para você - a voz de Aekeira tremia enquanto começava a chorar abertamente, seus braços segurando Emeriel ternamente.
— Nunca quis esse destino para você. Talvez você esteja certa. Talvez devêssemos escapar.
— Aekeira —
— Nunca saberemos até tentarmos! Eu odeio isso! Eu odeio que tenhamos que passar por tudo isso, e sejamos tão impotentes para impedi-lo! Eu desprezo isso! - Aekeira gritou com fervor, cheia de tristeza.
— Eu vivo com medo todos os dias, incerta de quando serei enviada para agradar a besta novamente. Já se passaram semanas, então acontecerá em breve - Suas lágrimas encharcaram o ombro de Emeriel.
— Além disso, a cerimônia para a apresentação de novos escravos está iminente. Seremos passados para tantos machos que perderemos a conta daqueles que violam nossos corpos. Eles vão te despir, e seu segredo será revelado. O que acontecerá então? O que farão com você? Eu vivo com medo todos os dias, Em.
Lágrimas silenciosas escorriam pelo rosto de Emeriel.
— Não temos ninguém aqui, Em. Não podemos contar com milagres. O que nos espera? Viveremos assim para sempre? Isso me d-destrói contemplar tal destino.- Aekeira chorou, soluços sufocando sua garganta.
— Tudo isso é minha culpa. Nunca deveria ter rezado para sair de Navia. Isso não é o que eu queria dizer quando fiz aquelas preces, Em. Pelo menos em Navia, você estava segura. Não tínhamos que viver com medo de... de tudo. Este é um destino pior do que Navia.
No abraço do silêncio da noite, elas choraram juntas.
As lágrimas de Aekeira fluíam sem controle, seu rosto inchado e olhos vermelhos. Ela segurou as mãos de Emeriel, sua pegada firme.
— Vamos escapar. Um dia. Vamos tentar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...