Horas depois, o Grande Senhor Vladya retornou a Blackstone. Ao se aproximar do corredor da residência real, ele parou abruptamente.
Ela estava lá.
Aekeira estava encostada na parede do lado de fora da câmara de sua irmã, de olhos fechados. Ela não o notou.
Vladya permitiu-se olhar para ela. Realmente olhar para ela.
Seu peito doía ao vê-la, e, por uma vez, a dor não tinha nada a ver com seus hematomas ou o olho inchado de antes.
Ela não estava falando com ele. Não tinha falado uma palavra com ele em três dias.
E ela o evitava como se ele carregasse a praga.
Vladya não podia culpá-la, mas ainda doía.
Então seus olhos se abriram, e pousaram nele. Erguendo-se rapidamente, suas costas se endireitaram, e ela olhou imediatamente para longe.
Mas tão rapidamente, seus olhos voltaram para o rosto dele, sua expressão mudando para uma de choque.
-O que aconteceu com você!?- Aekeira se apressou em direção a ele. Suas sobrancelhas se franziram profundamente enquanto o observava. -Olhe para o seu rosto. Olhe para...- Sua respiração parou.
Mesmo agora, ela se preocupava com ele.
Vladya...sentia falta disso.
Sua preocupação. Os sorrisos fáceis. O calor em sua voz dirigido a ele.
-Não é a loucura,- Vladya não tinha tido um episódio há mais de um mês agora. O maior período até agora.
-Então o que é isso...- ela levantou a mão, tocando seu lábio machucado. O toque leve, quase hesitante.
Vladya nem sequer se mexeu.
Ela poderia ter pressionado os dedos em seu olho esquerdo inchado, e ele não teria reagido...não teria se importado se isso significasse que ela continuasse tocando nele.
-Eu estive em uma briga,- ele admitiu com um suspiro, esperando aliviar sua preocupação. -Na corte.
Seus lábios se abriram em choque.
-Não se preocupe com isso, não é nada. Você deveria ver o outro cara.
Ela endireitou os ombros. -Quem é ele?
-Por quê? Você está planejando lutar com ele por mim?- Um sorriso leve puxou seus lábios inchados.
Ela se repreendeu e afastou a mão do rosto dele como se estivesse queimando. -Eu não faria isso. E você não deveria brincar com coisas assim, meu senhor.
-Meu senhor.- Eles estavam de volta às formalidades. Ele odiava a distância que as formalidades criavam entre eles.
-Por que você está esperando do lado de fora do quarto dela em vez de simplesmente entrar?- ele mudou de assunto, olhando para a porta fechada da câmara de Emeriel atrás dela.
-Eu estava esperando o Grande Rei sair,- ela disse em um tom mais baixo. -Ele tem estado lá dentro por horas.
-O dia inteiro, então,- Vladya murmurou, mais para si mesmo do que para ela.
-Ele só...continua olhando para ela,- a expressão de Aekeira estava tensa. -Não mexe um músculo. Nem mesmo quando eu entrei acidentalmente mais cedo, pedi desculpas e saí, ele não me deu um olhar.
A mandíbula de Vladya se contraiu. Daemonikai estava se afogando em sua culpa.
-Meu senhor—
-Pensei que tivéssemos superado isso,- Vladya disse.
-Também pensei,- ela olhou para longe. -Agora, não tenho tanta certeza.
Ele estendeu a mão para ela. -Aekeira—
Ela deu um passo para trás, fora de seu alcance. -Devo me retirar agora, Vossa Alteza.- Ela inclinou a cabeça, antes de se virar e se afastar.
Vladya ficou ali, observando sua figura se afastar até que ela desaparecesse ao virar a esquina.
Vladya não tinha ideia do que fazer. Pela primeira vez em muito tempo, ele se sentia verdadeiramente impotente.
PRINCESA EMERIEL

-Nove dias,- Aekeira recuou um pouco para olhá-la, lágrimas escorrendo pelo rosto. -Nove dias, Em. Por nove dias, você estava com dor. Você estava lutando pela sua vida, você estava...- Um arrepio percorreu seu corpo e ela fungou, enxugando os olhos. -Não faça nunca algo assim de novo! Por favor!
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...