Aekeira franzia os lábios.
-Não pense que não notei a dor que você suportou, o quão profundamente ele te feriu. Eu fui quem te ouvi chorar, noite após noite, por causa dele. Quando você achava que todos estavam dormindo, você soluçava em seu travesseiro até o amanhecer.
Aekeira baixou os olhos. -Não foi fácil deixar ir,- ela admitiu, sua voz quieta. -Mas quando confrontada com a escolha entre nos dar uma chance ou viver todos os dias meio morta por dentro, eu escolhi arriscar.
-Mesmo que ele esteja meio louco e sem alma?- A voz de Emeriel tinha um tom afiado.
Os lábios de Aekeira se curvaram em um sorriso suave. -Mesmo assim.- Ela olhou para Emeriel, seus olhos brilhando. -E sabe de uma coisa, Em?
-Não me chame de—- Suspiro. -O quê?
-Essas últimas semanas com ele têm sido as mais felizes da minha vida.- Os olhos de Aekeira brilhavam, um olhar sonhador em seu rosto. -Nunca me senti mais viva. Mais realizada.
-Absolutamente nojento. Absolutamente adorável.
-Dê uma chance ao grande rei,- Aekeira instou. -Escute-o. Depois decida o que quer fazer. Fugir não é realmente a resposta. A Emeriel que eu conhecia entendia isso.
-Não tenho certeza se quero ser aquela Emeriel novamente. Aquela garota deixou seu coração guiar... e veja o abismo sem fundo em que ela caiu. Agora, eu só sigo minha cabeça.
Aekeira ficou em silêncio.
Finalmente, ela disse, -E não há nada de errado nisso.- Levantando-se, ela acrescentou, -Vou chamar a Madam Livia—ela precisa saber que você está acordada.
Emeriel assentiu, observando sua irmã caminhar em direção à porta.
Mas Aekeira parou, virando-se, sua mão repousando na maçaneta.
-Talvez você não precise ser aquela garota novamente,- ela disse baixinho, -mas você não pode perdê-la completamente, Em. Porque aquela garota sobreviveu ao inferno. Ela suportou a escravidão, o inferno de dormir com uma besta. Encarou a agonia do calor e sua recuperação, de carregar um segredo esmagador, e ainda viveu sendo separada de sua alma gêmea. Ela passou por tudo isso, e... sobreviveu.
O peito de Emeriel apertou com força. Ela desviou o olhar, as palavras de sua irmã pairando no ar.
-Aquela garota era a melhor parte de você,- Aekeira acrescentou. -Ela era a parte mais forte. A mais corajosa. Ela é tudo que te fez, você. Talvez você não precise ser ela completamente novamente, mas ainda pode carregá-la consigo. Porque ela te equilibrava. Está tudo bem deixar sua cabeça liderar... apenas dê uma chance para o seu coração seguir também.
-Pare, por favor.- Emeriel encarou suas mãos. Elas estavam tremendo.
-Eu te amo, Em.- Sua irmã abriu a porta, oferecendo um pequeno sorriso triste. -Eu sempre vou te amar, não importa quem você seja.
Muito tempo depois que ela saiu, Emeriel sussurrou no silêncio, -Eu também te amo, Keira.
-
DOIS ANOS ATRÁS
i>Três meses após retornar de Urai.
Emeriel acordou com uma dor de cabeça lancinante e uma dor ainda mais aguda em seu estômago.
A luz do sol invadia a janela, agredindo seus olhos sensíveis, mas ela não tinha nem forças nem vontade de se levantar e fechar as cortinas. Em vez disso, ela jogou um travesseiro sobre o rosto, isolando-se do mundo.
Outro dia amanheceu.
Outro dia para esperar o retorno de seu Amado, para rezar para que ele viesse e a levasse de volta.
Ela não se importava se tivesse que voltar como sua escrava; Emeriel estava pronta para servi-lo pelo resto de sua vida. Ela aceitaria qualquer migalha de afeto que ele pudesse lhe dar, se ao menos viesse buscá-la.


Vai embora. Deixe-me em paz! Ela queria gritar, mas estava tão cansada que não tinha forças para fazê-lo.
E seu estômago... estava em chamas.
Uma dor aguda e repentina rasgou seu corpo, fazendo-a acordar. O que está acontecendo...
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...