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Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso romance Capítulo 215

-Com tudo o que há em mim. Alguns dias, resistir era tão difícil como mastigar pedras. Nunca me senti tão privado... até que eu quis você mas não pude ir te buscar. Só podia esperar que um dia você voltasse para mim.

Os olhos de Aekeira se encheram de lágrimas. Seu coração cantou.

-Mas estou aterrorizado de ter esperança.- Lord Vladya admitiu enquanto se aproximava, e inalava o seu cheiro. -E se eu me permitir esperar que você seja minha, e você acabar não sendo, como os outros...

Isso o quebraria além de qualquer reparo. Aekeira sabia disso. Ela podia ouvir em sua voz.

E isso também a aterrorizava.

Aekeira queria ser dele. Tinha sonhado com isso por anos. Mas sonhos eram uma coisa; a realidade era outra. Emeriel era a Sereia... e a verdade era que Aekeira não era como Em.

Então e se houvesse uma atração óbvia e irresistível entre eles? E se o seu ser ansiava tanto pelo dela que seus instintos básicos adormeciam na ausência dela? E se ela amasse esse macho mais do que a própria vida, e ele agora a olhasse como se o mundo inteiro girasse em torno dela? Nada disso importava se tentassem o ritual de ligação e falhasse.

Seria o fim.

Não haveria volta.

Oh sim, Aekeira também estava aterrorizada.

-Eu senti muito a sua falta,- murmurou Lord Vladya, beijando a sua testa.

-E-eu...- Se eu começar a chorar de novo por sentir tanto a sua falta, não vou parar.

-Ficou ainda mais difícil à medida que os anos passavam. À medida que a minha jornada se tornava mais desafiadora, à medida que a loucura se aproximava, eu tinha arrependimentos.- Ele respirou o seu cheiro, soltando um gemido baixo. -Deuses, você cheira tão bem. Não consigo ter o suficiente.

-Arrependimentos?- Aekeira sussurrou, mal se segurando firme.

Ele assentiu contra ela. -Eu te afastei para que você não me visse enlouquecer. Mas no final... quando chegou a hora... você era tudo o que eu queria ver pela última vez.- Seus braços envolveram a sua cintura. -Eu queria ver o seu rosto lindo, ouvir a sua voz adorável... pela última vez. Me arrependo de te mandar embora, Aekeira.

A névoa obscureceu a visão de Aekeira novamente. Por que esse macho não podia ser apenas dela? Por que o universo tinha que tornar tudo tão complicado?

Deuses, você poderia por favor tirar a loucura?

Por favor, devolva-lhe a sua alma?

Se ao menos você pudesse me fazer uma Sereia também.

Você poderia por favor nos tornar tão compatíveis que se tentássemos um ritual de ligação, ele teria sucesso?

Deuses, se desejos fossem cavalos... você deixaria este mendigo cavalgar?

Lágrimas escorriam pelas bochechas de Aekeira, deixando um rastro molhado enquanto ela retribuía o abraço dele.

••••••••••••••

PRINCESA EMERIEL

-Não quero que ele te arranhe, Emeriel,- Lord Ottai advertiu, apoiando-se casualmente contra a parede, enquanto observava Emeriel espalhar o grande banquete do rei diante da mesa.

-Eu sei, Lord Ottai. Eu também não quero que ele me arranhe.- Ela respondeu suavemente, olhando para a forma imóvel do Rei Daemonikai. -Mas você disse que já faz dias desde que ele teve algum tipo de alimentação. Se isso continuar, ele só ficará mais fraco, e ele precisa de sua força para retornar.

Com uma colher de latão, Emeriel pegou uma porção de mingau e gentilmente empurrou a colher em direção aos lábios do grande rei.

Embora seu corpo permanecesse imóvel, garras saltaram de suas mãos. Afiadas e mortais, prontas para atacar.

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