Aekeira engoliu o nó na garganta. Era uma espada de dois gumes, realmente, porque esquecer a ajudava a seguir em frente... mas ao mesmo tempo, ela ansiava por relembrar.
Era a única maneira dela se sentir viva novamente. Lembrar como era sentir verdadeiramente viver.
Para Emeriel, era mais fácil bloquear tudo isso.
No começo, Aekeira quase a perdeu. O Ligamento de Almas tinha sido tão aterrorizante que ela assistiu impotente enquanto ele dilacerava Emeriel. A dor de ser separada de seu amado tinha levado Emeriel à beira da loucura.
Ela não comia por dias, mal dormia e passava a maior parte do tempo em lágrimas.
Quando não estava chorando, ela caía em um estado oco e distante, encarando o nada por horas - às vezes dias - sem sair da cama.
Aquelas eram tempos sombrios. Tempos sombrios, sombrios.
Aekeira estremeceu ao se lembrar do pior disso. O momento em que Emeriel desapareceu.
O Rei Orestus virou o reino de cabeça para baixo procurando por ela. Eles a encontraram dois dias depois nas Grandes Montanhas, a fronteira natural que separava suas terras dos territórios Urekai.
Aquele lugar quase a engoliu por completo. Quando a alcançaram, ela estava desidratada, inconsciente e quase morta.
Isso tinha sido há dois anos. Desde então, Emeriel tinha se tornado... insensível.
Com o tempo, ela parou de chorar por ele, parou de pedir por ele, parou de deixar as lembranças a atormentarem. Quanto mais ela comia e se aventurava do lado de fora, mais ela enterrava o grande rei e tudo relacionado aos Urekai.
Agora, Emeriel era uma bola de raiva gelada. Uma força que ninguém conseguia quebrar.
E, ela se tornou imprudente. Se lançando em empreendimentos perigosos sem pensar duas vezes. Caçando jogos, arenas de luta, qualquer coisa que pudesse proporcionar uma emoção ou um desafio.
Emeriel sempre foi alguém que sentia tudo demais, mas para sobreviver agora, ela tinha aprendido a sentir quase nada de todo. Ela estava mais forte. Mais dura.
Aekeira não podia dizer que se arrependia de como as coisas tinham se desenrolado. Emeriel tinha que sobreviver. Era isso ou deixar a agonia do ligamento de almas engoli-la por completo e cuspir seu cadáver.
Mas ainda assim, havia momentos... momentos silenciosos e dilacerantes, onde ela sentia falta de sua irmã. Aquela que costumava rir. Se importar. Viver.
Ela sentia falta de sua Em, aquela que não se escudava atrás de uma parede de gelo e raiva.
Essa Emeriel nem gostava mais de ser chamada de Em.
Aekeira olhou para sua irmã agora, de pé, fria e distante no jardim iluminado pela lua. Não era a mesma mulher com quem ela tinha crescido, e Aekeira se perguntou se algum dia veria aquele lado de Emeriel novamente.
Mas pelo menos ela estava viva.
Isso tinha que ser o suficiente.
•••••••
As folhas farfalharam atrás delas. Dois soldados apareceram. -Vossas Altezas,- um deles entoou, -perdoem minha intromissão, mas o Rei solicita a presença de vocês em seu estudo.
-Vamos,- Emeriel virou-se e os seguiu. Aekeira afastou seus pensamentos tristes e seguiu atrás.
O Rei Orestus estava sozinho em seu estudo, óculos de leitura no alto do nariz. Sua mesa estava cheia de pergaminhos, enquanto ele rabiscava em um pergaminho. Com a chegada deles, ele ergueu a cabeça, seu olhar se fixando em Emeriel primeiro.


Mesmo sendo um homem, você nunca me deixou participar dos torneios. 'Você é muito feminina,' você diria. 'Você é motivo de piada.' Ela imitou. 'Você valerá mais deitada do que nos campos.' Você se lembra, Vossa Alteza?
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...