O cheiro doce do bolo encheu o camarote, misturado com o aroma das bebidas.
Sophia deu um empurrãozinho em Lorenzo: — Lorenzo, leva esse pedaço para a Beatriz. O bolo de hoje é bem do sabor que ela gosta.-
Beatriz gostava de framboesa. O bolo daquela noite era rosa, sabor framboesa.
O rosto de Sophia tinha um sorriso gentil, como se quisesse mesmo que os dois quebrassem o gelo e fizessem as pazes.
Lorenzo era alto e chamava muita atenção no meio das pessoas. Mesmo sem falar, ele era o foco absoluto.
Ele pausou por alguns segundos, parecendo pensar em uma desculpa para recusar. No fim, pegou o bolo e foi devagar até Beatriz.
Ele andava de um jeito elegante. Levantou a mão e entregou o bolo a ela de forma impessoal: — Aniversário da Sophia, quer provar um pedaço?
Beatriz levantou a cabeça com os olhos calmos: — Não precisa, Lorenzo. Estou de dieta ultimamente.
As outras pessoas torceram a boca e viraram os olhos na mesma hora. Beatriz tinha ido só para estragar o clima.
Lorenzo olhou nos olhos dela. Ela não tinha a histeria de três anos atrás, nem o nojo de quando enfiou a faca no ombro dele, nem o desespero de dizer que as pessoas e as coisas da Capital davam repulsa.
Ela tinha ficado tão calma.
Tão calma que não tinha nem emoção.
Mas, para as pessoas em volta, Beatriz estava fingindo. O mundo inteiro sabia que era impossível ela esquecer Lorenzo.
Lorenzo recolheu o bolo, mantendo a postura de um adulto: — Então não vou insistir.
Os amigos de infância do passado estavam tão distantes agora.
Ele virou as costas e voltou para o lado de Sophia, respondendo com um sorriso leve.
O clima lá estava animado, e não tinha nada a ver com Beatriz.
Ela continuou de cabeça baixa respondendo mensagens, como se não percebesse que estava sendo deixada de lado.


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