Quando Beatriz abriu a porta do camarote, alguém a abraçou pela cintura por trás e a beijou direto.
Ela ficou surpresa. Fazia três anos que não voltava à Capital, mas não esperava ainda reconhecer o cheiro dele.
Seu marido e amigo de infância, Lorenzo.
Antes que ela pudesse sentir qualquer doçura repentina, as luzes do camarote se acenderam e as outras pessoas, que já estavam preparadas, estouraram confetes: — Feliz aniversário, Sophia!!
Quando viram que a pessoa abraçada era Beatriz, os gritos de surpresa pararam na hora. Ao perceberem a situação, todos ficaram constrangidos.
— Beatriz, você voltou.
— Você não tinha ido embora há três anos? Como é que logo agora...
Os confetes coloridos estavam espalhados pelo chão, e o clima animado ficou estranho.
A mão em sua cintura também a soltou na hora, como se percebesse que havia abraçado a pessoa errada.
Ela olhou para o rosto dele, seguindo a direção de onde o calor sumiu.
Depois de três anos, ele parecia o mesmo. De terno, tinha um ar distante e contido. O rosto era bonito demais, com nariz alto e olhos fundos. O terno tinha um corte impecável, e ele era reservado e elegante como gelo.
Se não fosse pelo rosto dele, Beatriz não teria passado a infância correndo atrás dele como uma boba.
Lorenzo ficou ali em silêncio. Com quase um metro e noventa, a linha da mandíbula ficava ainda mais marcada sob a luz. A expressão era indiferente, o cabelo preto estava bagunçado, e ele transbordava a elegância de alguém criado com os melhores recursos.
Na Capital, cheia de pessoas poderosas, ele com certeza estava no topo.
Além disso, anos atrás, quando todos apostavam em novas mídias de automóveis, Lorenzo foi o primeiro a focar em inteligência artificial, abrindo incubadoras de IA em várias universidades de ponta. Na época, a mídia não entendia por que ele não tentava lucrar com o setor automotivo. Hoje, com a IA em alta, todos têm que admirar o instinto dele para os negócios. Mas, quando se deram conta, a maior parte dos melhores talentos já tinha ido para o Grupo Albuquerque.
Já era tarde para os outros tentarem correr atrás.
Beatriz nunca negou que ele era um empresário de muito sucesso. Quando estavam bem, ele também a beijava e a chamava de Bia de um jeito contido.
Mas há três anos, as coisas terminaram muito mal. Tão mal que, só de lembrar do nome e do rosto dele, era como ter o coração furado por um espinho.
Encontrá-lo de novo não a deixava calma, mas ela se esforçava para manter a compostura.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa por Contrato, Estranha por Escolha