Ele falou com certa urgência e puxou o cobertor para tentar se levantar da cama.
A enfermeira imediatamente se levantou do chão, foi até ele e disse:
— Eu estou bem. Por favor, não tenta se levantar. — Ela o cobriu novamente. — Não se mexa, fica deitado direitinho.
— Me desculpa, será que te assustei?
Heitor a olhou com olhos inocentes, com uma expressão um tanto triste.
O coração da enfermeira amoleceu de imediato. O medo que havia sentido antes também diminuiu bastante com o pedido de desculpas de Heitor:
— Eu estou bem, mas o que aconteceu com você?
— É que eu tenho passado por muita coisa ultimamente. Além disso, fiz uma cirurgia e não posso sair da cama. De repente, fiquei muito irritado e acabei perdendo a paciência. Não foi de propósito, não fica brava comigo.
Heitor estava visivelmente abatido, sua voz e expressão despertavam compaixão. Seus olhos pareciam até marejados.
A enfermeira logo se comoveu:
— Eu realmente fiquei um pouco assustada, mas não estou brava. Se você estiver se sentindo mal, pode conversar comigo.
— Melhor não. Você provavelmente nem se interessa pelos meus problemas. — Heitor abaixou a cabeça, desanimado.
A enfermeira puxou uma cadeira e se sentou ao lado dele:
— Pode me contar, sim. Meu trabalho é cuidar de você, e eu acho que não é só do corpo, também preciso cuidar do seu emocional. Se você quiser, eu quero te ajudar.
Heitor encarou a mulher à sua frente e ficou em silêncio por um bom tempo.
— E se eu te contar e você sair contando para os outros? — Heitor parecia desconfiado.
— Eu não vou contar para ninguém, pode ficar tranquilo. — Ela o olhou com sinceridade.
— É sério? Você não está mentindo?
A enfermeira assentiu com a cabeça:

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