Os lábios de Roberto roçaram a ponta do nariz de Jaqueline, deixando dúvidas se foi por acidente ou um contato intencional.
Os lábios de Jaqueline se moveram levemente, murmurando algo, enquanto ela franzia a testa ligeiramente e virava o corpo, se deitando de lado.
Os lábios de Roberto deslizaram do nariz dela para sua bochecha, criando um frêmito de corrente elétrica fina.
Jaqueline sentiu algo em seu sono, mas suas pálpebras cansadas não conseguiam se abrir.
Roberto manteve a postura de abraçá-la, com as mãos pressionadas em ambos os lados dela, muito perto, com as respirações de ambos quase se entrelaçando.
Mesmo que as costas dele estivessem desconfortáveis, naquele momento, a dor parecia ter desaparecido completamente.
Relutantemente, Roberto se endireitou, ajustou cuidadosamente o cobertor dela, afastou alguns fios de cabelo de sua testa e ficou parado ao lado da cama, observando ela por um bom tempo.
Até que Nádia se aproximou, parando atrás dele, e os dois olharam juntos para a pessoa adormecida na cama.
Era como se estivessem vigiando uma criança.
Depois, Nádia virou a cabeça e lançou um olhar sério a Roberto.
Até Nádia, a mãe, achava o olhar dele especialmente atraente.
"A relação deles está tão boa e ainda assim se divorciaram? Será que Roberto enlouqueceu?"
Nádia levantou a mão e acenou diante dos olhos de Roberto.
Ele segurou sua mão e a baixou, olhando para a mãe sem dizer uma palavra, preocupado em acordar Jaqueline.
Nádia falou em voz baixa:
— Parece que você perdeu a alma.
Roberto, em silêncio, se virou e saiu do quarto.
Nádia o seguiu.
Após a porta se fechar, os dois chegaram à sala de estar, onde Roberto finalmente disse:
— O que você fez com ela ontem à noite? Por que ela não dormiu a noite toda?
— Veio me interrogar? — Nádia cruzou os braços. — Por que você sempre acha que eu a maltrato?

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