— Não desligue. — Disse Roberto rapidamente. — Não vou te incomodar mais, pode continuar vendo seus documentos, só não desligue ainda.
Ele queria fazer companhia, enquanto ela trabalhava.
Nos olhos de Jaqueline passou um vislumbre de confusão:
— Por quê?
— Não tem motivo, continue apenas o que está fazendo.
— Tudo bem então. — Disse Jaqueline, que não sabia o que Roberto pretendia, mas empurrou o celular para o lado e continuou seu trabalho.
Finalmente, ela terminou de revisar todos os documentos, com olheiras profundas e exaustão evidente.
Cambaleante, foi até a sala e viu Nádia cozinhando.
Ao ouvir os passos, Nádia se virou:
— Terminou tudo?
Jaqueline assentiu:
— Sim.
— Você é incrível, ficou ocupada a noite toda. Pensei que fosse dormir ontem à noite.
Jaqueline sorriu, um tanto desorientada, e se sentou à mesa, desabando sobre ela com um cansaço visível:
— Havia uma força me empurrando para ver tudo de uma vez, e sem que eu percebesse, amanheceu.
Ela colocou o celular sobre a mesa.
Nádia pôs o café da manhã na mesa e notou que a tela do celular de Jaqueline ainda mostrava a chamada com Roberto.
Ela sorriu levemente:
— Você realmente se esforça. Roberto até pensou que eu estava te maltratando, chegou a me repreender.
Jaqueline se endireitou:
— Sério? Roberto, você realmente fez isso? — Ela falou diretamente para o outro lado da linha, sem rodeios.
— Eu não disse nada, Jaqueline. Não acredite nela, eu não falei isso.
Roberto negou, temendo ser repreendido.
Nádia revirou os olhos:
— Você ainda não admite.

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