— É, pois é, caótico. — Rosângela Nunes olhou para o relógio; passava pouco das sete.
— Aluno João Guilherme, um aviso amigável: você vai se atrasar em dez minutos. Tem certeza de que quer continuar conversando aqui comigo? Eu não vou deixar de marcar seu atraso por causa disso.
— Professora, você é muito insensível. Afinal, eu sou praticamente seu salvador.
João Guilherme juntou as mãos em prece.
Rosângela Nunes balançou a cabeça, achando graça da situação.
— Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Vá logo para a aula.
João Guilherme fez um bico e se virou para caminhar em direção ao prédio de ensino.
Rosângela Nunes recebeu uma ligação do diretor e foi para a sala dele.
— Diretor, o senhor me procurou?
— Dra. Nunes, como tem sido a adaptação na escola nesses dois dias? Os alunos estão se comportando?
Rosângela Nunes ponderou por um momento; exceto pelo encontro com Cláudio Rebelo e os outros no primeiro dia, os alunos que encontrou nos últimos dias eram bons.
— Tudo bem.
O diretor soltou um longo suspiro de alívio ao ouvir o comentário de Rosângela Nunes.
— Que bom. Há mais uma coisa: a competição anual de medicina da escola vai começar.
— Dra. Nunes, por favor, selecione dois alunos excelentes da sua turma o mais rápido possível para participar da competição.
— Os dois finalistas representarão a escola na competição de intercâmbio médico na Cidade Capital.
O diretor sorriu para Rosângela Nunes.
— Dra. Nunes, confio muito nos seus alunos.
Rosângela Nunes ficou atônita; aquela turma não era originalmente dela, ela estava apenas substituindo um professor a convite.
— Eu escolher? Não sei se é adequado. Não deveria discutir isso com o coordenador?
— Não precisa. Sua turma foi classificada como uma turma especial, não precisa se reportar ao coordenador.
Rosângela Nunes sentiu a pressão repentina.
Como aluna de Ricardo Laurentino, se não conseguisse garantir as vagas nessa competição, a reputação de seu professor poderia ser prejudicada.
Ela sorriu amargamente em seu interior; o diretor estava colocando pressão nela.
João Guilherme sorriu com confiança, apoiou uma mão no pódio e falou com um ar brincalhão.
— Hoje, quando pediu para os alunos responderem, você se distraiu três vezes e falou errado três vezes. Quem acreditaria que não tem nada acontecendo? Professora, será que seu quase ex-marido te assediou?
Rosângela Nunes olhou para a expressão fofoqueira de João Guilherme e, sentindo-se impotente, estendeu a mão levemente e deu um tapa no ombro dele.
O perfume feminino acompanhou o movimento da mão e chegou ao nariz de João Guilherme.
Ele ficou momentaneamente atordoado, e seu rosto corou instantaneamente.
Mas Rosângela Nunes não percebeu e continuou falando.
— Menos fofoca, não aconteceu nada. Por que não corre para o refeitório? Se demorar, não vai sobrar nem resto de comida para você.
— Se não sobrar, que não sobre. A comida daquele refeitório nem cachorro come, é horrível. O arroz é cru e, quem sabe, até dá para achar cabelo ou inseto na comida.
— Não exagere, a comida do refeitório da Universidade A ainda é muito boa.
Rosângela Nunes balançou a cabeça rindo, mas João Guilherme a olhou como se ela fosse um monstro.
— Professora, você está falando sério? A comida do refeitório da Universidade A é boa? Argh!

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