Eva Ribeiro cobriu o rosto com as mãos, arregalando os olhos em descrença, e soltou um grito agudo.
— Você se atreveu a me bater! Rosângela Nunes, com que direito você me bate!
Ela avançou, tentando puxar o cabelo de Rosângela Nunes, mas foi interceptada por Henrique Gomes, que agarrou seu pulso com firmeza e a puxou de volta.
— Eva, pare com isso.
Ele demonstrou desagrado, franzindo a testa, e seus olhos brilharam com um traço de impaciência.
Eva Ribeiro não se conformava, sentindo o rosto arder e encarando Rosângela Nunes com um ciúme doentio.
Ela sabia que, se insistisse naquele momento, provavelmente só conseguiria aumentar a aversão de Henrique Gomes.
Ela conteve a raiva estampada em seu rosto, encheu os olhos de lágrimas, mordeu o lábio inferior e soluçou com uma expressão de injustiçada.
— Dra. Nunes, eu sei que você me odeia. Pode me bater. Se isso fizer sua raiva passar, eu prefiro que me bata.
Assim que as palavras saíram de sua boca, Rosângela Nunes desferiu outro tapa estalado, girando o pulso logo em seguida para aliviar o impacto.
— Em toda a minha vida, nunca ouvi um pedido tão absurdo.
Mesmo após quatro tapas consecutivos, Henrique Gomes não demonstrou qualquer reação negativa.
Pelo contrário, ele achou a situação quase cômica e olhou para Rosângela Nunes com uma indulgência surpreendente.
— Henrique, a Dra. Nunes, ela...
— Assistente Lacerda, leve a Srta. Ribeiro de volta. De agora em diante, se ela vier me procurar, não permita sua entrada sem minha autorização.
Henrique Gomes soltou a mão de Eva Ribeiro e deu a ordem ao assistente Lacerda com uma expressão impassível.
O assistente Lacerda assentiu repetidamente e fez um gesto indicando a saída para Eva Ribeiro.
— Henrique, por que você está me tratando assim? Você prometeu ao Cesar que cuidaria bem de mim!
Eva Ribeiro não esperava que Henrique Gomes fosse tão insensível com ela.
Desde que o incidente com o médico Ariel aconteceu, ele nunca mais havia pisado no Edifício Horizonte Azul.
Talvez fosse melhor assim, pois se ele soubesse que ela havia matado alguém, provavelmente a mandaria para a prisão.
— Eva, eu devia ao Cesar o fato de não termos conseguido salvar a criança, mas não devo nada a você.
Rosângela Nunes sentiu o calor da palma da mão dele, percebeu seu rosto esquentar e puxou a mão de volta bruscamente.
— Eu vi o relatório da autópsia. — Henrique Gomes ignorou o pequeno movimento de Rosângela Nunes. — A vovó não tinha outros ferimentos, apenas um ferimento fatal. Nisso, não sou tão profissional quanto você. O que você acha?
Rosângela Nunes fungou, reprimindo a dor e a indignação em seu coração, e expôs sua suposição.
— O diagnóstico indica marcas de fricção na ferida, e o corte é extremamente profundo.
— Suspeito que o assassino tenha inserido e removido a arma repetidamente, o que causou o atrito.
— Uma facada mais profunda que a outra...
Henrique Gomes estreitou os olhos, onde brilhou um traço de frieza e perigo, sentindo o coração doer com a conclusão de Rosângela Nunes.
Uma senhora idosa sendo esfaqueada tantas vezes... quanta dor ela não deve ter sentido!
— Suspeito que tenha sido cometido por alguém conhecido. — Disse Rosângela Nunes. — Não havia sinais de luta no local, o que indica que a vovó provavelmente estava conversando com essa pessoa.
— Ou talvez a pessoa tenha se aproximado e esfaqueado a vovó de surpresa, mas mesmo assim, deveria haver algum sinal de defesa.

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