O quarto do hospital estava mergulhado em um silêncio absoluto.
Muito tempo depois, quando o braço de Cora já formigava a ponto de ficar insuportável, ela finalmente conseguiu soltá-lo com cuidado.
Dessa vez, Caio não protestou; estava realmente em sono profundo.
Ao se levantar da beirada da cama, Cora percebeu que suas pernas também estavam dormentes.
Nesse exato momento, Bernardo entrou no quarto.
Ele carregava sacolas de comida nas mãos.
Cora deu uma rápida olhada e percebeu imediatamente que eram os seus pratos favoritos.
— Ele dormiu pesado? Venha comer primeiro. — disse Bernardo, em tom casual.
Cora, na verdade, queria recusar.
Mas, de repente, Caio murmurou durante o sono:
— Mamãe, não vá...
Sua expressão era de puro pânico e angústia.
Ele se debatia, aterrorizado.
Isso fez com que as palavras de recusa morressem na garganta de Cora.
No fundo, ela temia que o menino tivesse uma crise.
Ela encontrou uma justificativa perfeitamente razoável para ficar.
Já havia passado por um susto enorme com Noelia.
Não podia cometer o mesmo erro sabendo dos riscos.
— Eu não fui a lugar nenhum. — Cora virou-se e sussurrou, acalmando Caio.
Ao ouvir a voz dela, o menino foi se tranquilizando aos poucos.
Logo, voltou a dormir profundamente.
Bernardo lançou-lhes um olhar rápido e indiferente, e começou a dispor as embalagens de comida sobre a mesa.
Todos os pratos ali eram os preferidos de Cora.
— Pedi ao restaurante para colocar menos pimenta. — comentou ele, casualmente.
Cora não respondeu.
Ela abaixou os olhos e checou o celular.
Havia várias mensagens de Hugo.
Nenhuma delas a pressionava; eram todas repletas de preocupação.
Hugo: [Você já chegou ao hospital?]
Hugo: [Não se esqueça de jantar.]
Hugo: [Não volte muito tarde, descanse um pouco. Me avise quando chegar em casa.]
Não responder seria indelicado da parte de Cora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....