Ela permaneceu em pé, com as pernas congeladas.
Irritada, mas indefesa.
A sua assistente pessoal surgiu a passos ágeis:
— Sra. Botelho, nós precisamos ir para os estúdios, não podemos nos atrasar. O Diretor Dantas detesta atrasos.
Foi uma forma de encontrar uma saída para a situação de Adelina.
Tirar o seu orgulho da reta.
Seus motivos para não prosseguir a briga com Bernardo não eram devidos à sua falha, mas sim pelo seu compromisso com os estúdios.
Afinal, ela não era boba para deixar passar algo daquele tipo.
Com a cabeça assentiu e, ainda com raiva em seu peito, marchou majestosamente em direção à van.
Em seguida, a porta foi fechada.
Seu rosto transbordava trevas de tão terrível que era.
E sua assistente não ousava falar com ela, recolhendo-se e afastando-se.
Ela continuou calada por um tempo e depois ligou para Renata Fogaça.
— Mamãe. — saudou Adelina, procurando ser doce.
Renata não nutria desgosto por Adelina, tampouco a estimava com ardor.
Ela apreciava quem combinasse com os padrões e riquezas da sua família.
Cora, anos atrás, tinha testado os limites de Renata.
Assim, em comparação com Cora, Adelina conquistara um espaço mais complacente em suas preferências.
Contudo, ao longo dos anos, mesmo alçada ao posto de Sra. Pereira, Adelina insistia em seguir sua vontade e retomar a carreira de atriz.
O que invariavelmente desagradava Renata.
Contudo, em favor de Adelina perante as memórias de Cora, ela, ao menos, proverá a família com um descendente masculino.
E Caio era o xodó inegável da avó.
Assim sendo, Renata, mesmo desgostosa com as peripécias e rebeldias de Adelina, silenciava seu repúdio numa conivência pacífica.
Tudo aquilo era uma tentativa de alistar o auxílio de Renata.
Afinal de contas, a sua sogra tinha uma voz considerável sobre o filho.
Diferentemente dela própria, que aparentava estar sem saída alguma no momento.
O desfecho foi de tal forma que ela não conseguiu finalizar a sua frase, e foi bruscamente interrompida pelo timbre gelado de Renata.
— Já basta. — não havendo dúvidas de que o seu limite já havia sido atingido, mandou a nora calar-se.
Adelina silenciou-se subitamente, sucumbindo diante do peso imposto.
Renata continuou com sua sentença:
— Eu não possuo qualquer gerência sobre as decisões de Bernardo. Será possível que isso ainda não esteja evidente para você?
Isso emudeceu Adelina por completo.
— E para completar, é sabido por você que as vontades suas acerca das filmagens são repudiadas com veemência tanto pelo Bernardo quanto pela Família Pereira, mas persiste no capricho. Logo, com que autoridade ousa censurá-lo? — o tom não admitia contestações. — Bernardo precisa de uma mulher que cuide do lar, não de alguém que vive se exibindo para as câmeras e o público.
Sob essa ótica em particular, na visão de Renata, Adelina não chegava aos pés da antiga Cora, apesar de ser a esposa de seu filho.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....