— Não tem problema. É que eu não consigo ver agora, estou com muito medo. Só queria um pouco de segurança — Adelina soube a hora de recuar.
Ela o abraçou novamente.
Ele não a rejeitou, mas também não a acolheu com calor.
— Descanse, eu vou cumprir o que te prometi — ele suavizou o tom, tentando reconfortá-la.
Adelina assentiu e sussurrou suavemente:
— Bernardo, eu não quero mais esperar. Todos mundo lá fora está zombando de mim. Eu sei que tenho a sua proteção, mas, no fundo, me sinto insegura. Eu fiz tudo o que estava ao meu alcance, até desisti de vingar meu filho. Então, por favor, eu não quero perder mais nada, não suportaria isso.
Cada palavra foi dita de forma clara e objetiva.
Bernardo ficou em silêncio por um longo tempo.
Agora, era ele quem estava perdido na própria mudez.
Lutando internamente, sentindo-se perdido e hesitante.
Mas ele também sabia dos sacrifícios que ela havia feito.
E da condição vulnerável em que se encontrava.
Finalmente, ele tomou a iniciativa de falar:
— Descanse bem por enquanto. Quando sua visão voltar, seu corpo se estabilizar e você fizer a cirurgia na cabeça no mês que vem, nós assumiremos tudo publicamente.
Um mês de carência seria suficiente tanto para ele quanto para Cora.
Ele conseguiria organizar tudo até lá.
Era exatamente como Horácio Villas havia lhe dito.
Por menos sentimentos que ainda tivesse por Cora, eles viveram juntos por sete anos.
Separarem-se agora exigia, no mínimo, que ele cumprisse com suas responsabilidades.
Para evitar o peso da culpa no futuro.
No entanto, ele não precisava explicar essas coisas para Adelina.
— Está bem — desta vez, ela não fez exigências, abaixando a cabeça e murmurando. — Me desculpe...
Ele apenas assentiu, sem adicionar nada.
Ela não ousou passar dos limites novamente.
Bernardo a soltou e caminhou para fora do quarto.
Adelina não tentou segurá-lo dessa vez.
Ela esperou até a porta se fechar completamente.
Só então o assistente se aproximou com cautela.



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