Depois de ouvir o Dr. Gomes, Cora ficou paralisada onde estava, sem mover um único músculo.
Demorou algum tempo até que sua mente voltasse a funcionar.
Seu único pensamento foi entrar em contato com Bernardo.
Se o pior realmente acontecesse, a única pessoa com o poder de tomar decisões seria Bernardo.
Somando isso às palavras venenosas de Adelina mais cedo, era simplesmente impossível para Cora manter o controle.
Mas ela não tinha um celular e não havia como se comunicar com o exterior.
Sua primeira reação instintiva foi correr até os seguranças.
— Senhora, por favor, tente falar devagar — o segurança ficou um pouco alarmado.
— Eu preciso de um telefone. Eu tenho que falar com o Bernardo — Cora disparou apressadamente.
O estado emocional de Cora estava visivelmente abalado.
Seu corpo todo tremia.
O segurança percebeu isso claramente.
— Por favor, acalme-se primeiro. Eu vou ligar para o Sr. Pereira imediatamente — ele assentiu com a cabeça, tentando acalmá-la.
Os olhos de Cora continuavam vidrados no rosto do segurança.
Ele não hesitou e discou o número de Bernardo ali mesmo.
— Sr. Pereira, a senhora precisa falar com o senhor — a voz do guarda soou um pouco urgente, influenciada pelo olhar aflito de Cora.
— Passe o telefone para ela — a voz de Bernardo soou fria e controlada.
Ele, é claro, já estava ciente do que acontecia no hospital.
Assim que o estado de Noelia havia se agravado, Bernardo foi o primeiro a ser notificado, e não Cora.
Naquele momento, ele já estava a caminho do hospital.
Apenas não esperava que Cora descobrisse tão rápido.
Sob a ordem do patrão, o segurança entregou o telefone a Cora sem hesitar.
Cora falou sem hesitar, com a voz trêmula de pânico.
— Bernardo... — ela começou a falar, mas Bernardo a interrompeu bruscamente.
— Cora, acalme-se primeiro — Bernardo falou pausadamente.
— Eu não consigo me acalmar! A condição de Noelia está terrível, ela não atinge os critérios para uma operação. Levá-la para a sala de cirurgia é uma sentença de morte — Cora não conseguia manter a calma, e sua voz só ficava mais desesperada.
Cora foi nua e crua na sua afirmação.
Afinal, a lógica por trás de tudo isso era clara.
Era ela quem mais se recusava a deixar Noelia ir embora.
Mas se não houvesse mesmo outra escolha, ela pelo menos desejava que a filha partisse de uma maneira pacífica e digna.


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