A bebê era minúscula, frágil demais.
Até mesmo para um prematuro, ela era visivelmente menor.
Sua pele era avermelhada, quase translúcida.
As veias se desenhavam nitidamente sob a superfície.
Se olhasse com atenção, dava até para perceber o contorno dos órgãos.
Seu pequeno corpo estava coberto de sensores e cateteres.
A respiração era apenas um sopro.
E, mesmo assim, a criança lutava bravamente pela vida.
Era o puro instinto de sobrevivência humano.
Nem mesmo um recém-nascido era exceção a isso.
Aquela visão foi como um golpe devastador no peito de Cora.
Uma sensação esmagadora de impotência.
E de puro desespero.
Sua mão ergueu-se para tocar a incubadora.
Mas vacilou, temendo se aproximar.
Tinha medo de que algo acontecesse à bebê.
Tinha medo de causar alguma infecção.
Tinha pavor de que, no segundo seguinte, sua filha deixasse de existir.
Esses pensamentos pesavam como uma montanha sobre Cora, sufocando-a.
Apesar de finalmente estar diante de sua filha.
O estado emocional de Cora não encontrou alívio.
A angústia chegou ao limite extremo.
A um passo de um colapso total.
Queria chorar, mas a voz já havia lhe faltado.
Dentro da UTI, o único som era o bipe rítmico dos monitores.
E o som de sua própria respiração, pesada e ofegante.
Quando Bernardo entrou apressado, encontrou Cora parada, imersa naquele silêncio sepulcral.
Seus passos cessaram.
Os médicos e enfermeiras hesitaram em se aproximar.
Todos prenderam a respiração.
Por um instante, o tempo e o espaço pareceram congelar.
Era uma calmaria aterrorizante.
De repente, a pequena começou a chorar.
Fosse por dor ou desconforto, ela chorava a plenos pulmões.
No entanto, mesmo usando toda a sua força, o som que saía era extremamente fraco.
E, abafado pelo acrílico da incubadora.


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