Enquanto houvesse um fio de esperança, ela queria lutar.
Pelo menos, quando partisse desta vida e reencontrasse sua filha do outro lado, estaria com a consciência limpa.
Ela tentou de tudo, mas o destino foi implacável.
Mas agora, Bernardo sequer lhe dava essa chance.
— Porque se ela morresse na mesa de cirurgia, a transferência das ações seria interrompida. E agora, mantida viva por aparelhos, ela pode aguentar até que o processo seja concluído.
— E então, quando as ações estiverem nas suas mãos, ela não terá mais nenhuma utilidade.
— Você vai operá-la de novo só para aliviar sua própria consciência, e depois virá me dizer que ela não resistiu e morreu na mesa de cirurgia, não é?
Cora expôs o plano de Bernardo com todas as letras.
Bernardo não conseguiu rebater.
Ele também não podia negar.
O verdadeiro motivo de tudo aquilo, de fato, eram as ações.
Ele ficou parado, imóvel.
— Bernardo, você tem um coração de pedra. — Cora deu um sorriso repentino.
Era um sorriso banhado em lágrimas, carregado de tristeza.
— Cora, eu já disse, essa criança não vai sobreviver nem com a cirurgia! — Bernardo enfatizou, baixando o tom de voz.
Cora parecia não ouvir.
As palavras dele foram automaticamente filtradas por sua mente.
— Bernardo, eu quero vê-la! — Cora insistiu em seu pedido.
— Ela é minha filha. Eu a carreguei no ventre por todos esses meses, tenho o direito de vê-la.
— Não importa qual seja a situação dela agora, eu preciso vê-la.
Suas palavras soaram com uma convicção inabalável.
Ela continuava de joelhos.
Talvez por falta de forças para se levantar, ou por qualquer outro motivo.
— Se você quiser que eu me arraste, que eu morra, que seja. Mas antes, eu quero vê-la. — Cora não mostrava a menor intenção de recuar.
Bernardo olhou para Cora em silêncio, sem consentir.
Aquele ponto, as máscaras já haviam caído.
Não havia mais razão para impedi-la.


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