Mas o ambiente estava tão silencioso.
Que Adelina ainda conseguia ouvir cada palavra nitidamente.
— Naquele dia, escutei o médico dizendo que já haviam encontrado uma córnea compatível aqui mesmo no hospital. Mas não sei por que não autorizou o procedimento forçado nela.
— E o pior: foi o próprio Sr. Pereira quem recusou.
— Será que a córnea é... da Cora?
— Vira essa boca para lá, não espalha isso, a gente não sabe de nada.
...
Conversando, as enfermeiras foram se afastando pelo corredor.
A notícia a atingiu como um golpe brutal, deixando-a atônita.
Era um choque profundo.
Adelina não imaginava que seu quadro de saúde fosse tão grave.
Ela até sentia que havia algo de errado com o próprio corpo.
Mas todos ao seu redor garantiam que não era nada preocupante.
Aquela verdade nua e crua, atirada de forma tão repentina, a despedaçou em um instante.
E o mais importante...
No mesmo segundo, Adelina deduziu que a tal córnea compatível pertencia a Cora.
Somente Cora seria capaz de fazer Bernardo hesitar.
Ou melhor, a versão atual de Cora, fazia Bernardo hesitar.
No passado, ele não teria pensado duas vezes.
Inexplicavelmente, muitas coisas haviam mudado.
Pegando-a totalmente desprevenida.
Adelina perdeu o controle.
Não podia permitir-se ficar cega.
Ela precisava daquela córnea a qualquer custo.
O primeiro impulso foi confrontar Bernardo.
E ela ligou para ele imediatamente.
O telefone tocou por um longo tempo até ser atendido.
Fazendo o pânico de Adelina se acumular a cada segundo de espera.
Antigamente, ele atendia suas ligações no primeiro toque.
Agora, tudo estava diferente.
Bem no fundo, sabia que o jogo havia virado.
Por mais que Bernardo sempre aparecesse quando chamado.

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