A presença de Bernardo ali.
Para Cora, servia apenas para garantir que a criança no ventre estivesse segura.
Ela e Bernardo já haviam chegado àquele ponto sem volta.
Não havia necessidade de criar conflitos, muito menos de fingir um clima amistoso.
— Hum. — Bernardo murmurou em resposta.
Sem esboçar nenhuma reação emocional significativa.
Cora curvou-se e entrou no veículo.
E, com naturalidade, Bernardo entrou logo atrás dela.
Cora franziu ligeiramente as sobrancelhas e o encarou.
Seus lábios se moveram, mas, por fim, ela não disse nada.
— O que você quer dizer? — Surpreendentemente, foi Bernardo quem tomou a iniciativa de falar.
— Nada. — A resposta dela foi seca e distante.
O carro já havia entrado em movimento, seguindo na direção do hospital.
O bebê no ventre também estava bastante quieto.
A mão de Cora repousou sobre a barriga num gesto instintivo.
Era um instinto protetor natural de qualquer mãe.
Bernardo notou o gesto:
— Algum desconforto?
— Não. — Ela continuou indiferente.
O olhar de Bernardo tornou-se mais denso, fitando-a fixamente.
Cora ignorou-o, observando a paisagem pela janela do carro em silêncio.
Através do reflexo no vidro, ela podia ver a expressão tensa no rosto do homem.
Mas para ela, aquilo já não importava mais.
Era uma indiferença de quem já havia jogado tudo para o alto e não se importava com os cacos.
— Bernardo! — De repente, Cora soltou uma exclamação assustada.
Ele a havia puxado pelos ombros, virando-a abruptamente em sua direção.
Ela viu-se forçada a encará-lo.
— Você acha que está no controle agora e que não tem nada a temer? — A voz de Bernardo soou pesada. — Cora, não teste a minha paciência.
Cora continuou lhe oferecendo um sorriso pálido e indiferente.
Como se não se importasse nem um pouco com aquela explosão de raiva.
— Certo, o Sr. Pereira deseja que eu coopere? — Ela perguntou diretamente.
Apenas aquela frase já foi o suficiente para deixá-lo ainda mais insatisfeito.
Ele por acaso queria a cooperação dela?
Não era isso.
Provavelmente, desde que Cora havia parado de sorrir para ele...
Ele começou a ansiar pela Cora do passado, aquela cujos olhos só enxergavam ele.
E quanto mais ansiava, mais tentava forçar as coisas de volta aos eixos.
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