Adelina atirava uma frase após a outra.
E quanto mais falava, mais se convencia de que tinha razão.
Impulsionada por esses pensamentos, ela mesma começou a perder o controle.
— Adelina, não fique imaginando coisas absurdas. — A voz de Bernardo soou alguns tons mais grave.
Ele olhou nos olhos dela, e cada palavra foi dita com seriedade.
— Quando não estou no hospital, também preciso estar na empresa resolvendo negócios. Não tente envolver a Cora em absolutamente tudo, ouviu bem?
O tom de Bernardo revelou uma crescente impaciência.
E havia um traço de advertência em seu olhar.
Dizer que Adelina não ficou tensa seria mentira.
Ela conhecia muito bem o temperamento de Bernardo.
Portanto, diante daquela situação, ela não ousou continuar ultrapassando os limites.
O tom de sua voz suavizou-se, mas seu olhar ainda carregava uma expressão de profunda mágoa ao encará-lo.
— Bernardo. — Ela o chamou pelo nome.
Ele apenas emitiu um som gutural de assentimento.
Adelina mordeu o lábio inferior, parecendo hesitar.
Então, perguntou em voz baixa:
— A Cora está prestes a dar à luz, não está?
Bernardo manteve o olhar fixo nela, sem confirmar nem negar.
Adelina não se importou e continuou a investigar:
— Eu só quero saber... Quando ela tiver o bebê, a polícia vai prendê-la. Você vai interferir quando esse momento chegar?
Porque ela sabia muito bem.
Se Bernardo interferisse, Cora poderia conseguir o benefício da prisão domiciliar devido ao parto e à amamentação. E assim, ela escaparia da cadeia por tempo indeterminado.
E, com qualquer adiamento, todo tipo de imprevisto poderia acontecer.
Adelina não queria ver nenhum acidente arruinar seus planos.
Por isso, colocou a questão diretamente nas mãos de Bernardo.
Ele não respondeu de imediato.
Aquela atitude evasiva deixou Adelina ainda mais apavorada.
Ela apertou a mão de Bernardo com ainda mais força.
E o volume de sua voz, inevitavelmente, aumentou.
— Bernardo, você está hesitando! — Ela o acusou. — Mas não se esqueça de que foi a Cora quem matou o meu filho! Aquele era o nosso bebê! Uma criança que lutei tanto para conseguir, uma criança que eu dei a vida para tentar salvar.



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