A lógica de Cora era muito clara.
Cada palavra foi dita com precisão.
Ela olhava fixamente para Bernardo, mas não havia qualquer expectativa em seus olhos.
Apenas relatava um fato óbvio.
— Você a empurrou contra a pilastra, não é um fato? Todos os presentes viram muito bem.
Bernardo cerrava a mandíbula enquanto a questionava.
— Ela desceu para te impedir, cada palavra que ela disse, cada momento em que ela esteve presente teve testemunhas.
— Se ela tivesse armado alguma coisa, quem não perceberia?
O tom dele também revelava sua insatisfação.
Se fosse antes, Cora teria discutido fervorosamente.
Agora, ela apenas olhava para Bernardo com indiferença, como se já não houvesse mais pressa ou irritação.
— Sim, não nego, fui eu que a ataquei. — Ela admitiu.
Bernardo ficou em silêncio por um momento.
Cora continuou:
— Mas se não fosse pelo assunto do Nicolas, eu não teria feito nada. Enquanto ela me impedia de passar, ela me dizia que o Nicolas estava morto.
Essa declaração fez o rosto de Bernardo mudar.
Ele falou sem sequer pensar:
— Como isso seria possível? O acidente do Nicolas foi repentino, como ela saberia? Ela esteve o tempo todo na mansão da Família Pereira e não saiu de lá.
Bernardo rejeitou a ideia instintivamente.
— Pois é, é assim que ela consegue a confiança de todos vocês. Se fosse realmente como você diz, por que ela saberia que algo aconteceu com o Nicolas? Nem eu mesma tinha visto o Nicolas, mas ela pôde me dizer com toda a certeza que ele não viveria por muito tempo? — Cora questionou Bernardo de volta, sem qualquer medo ou hesitação.
Foi a primeira vez que Bernardo se mostrou calado.
Desde que o acidente repentino de Nicolas aconteceu, Bernardo já desconfiava.
Se ninguém o tivesse provocado, Nicolas não teria sofrido um imprevisto de repente.


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