Bernardo não sabia se sentia vergonha pela acusação ou alguma outra coisa.
Ele olhou para Cora:
— Não fuja do assunto.
— Certo, e depois? Quer que eu pague com a minha vida? — Cora rebateu.
— Mas como eu sou apenas a incubadora do seu filho agora, você não pode me deixar morrer para me redimir. Então decidiu me torturar psicologicamente aqui, usando o Nicolas para me torturar, não é? — Cora de repente soltou uma risada irônica.
Bernardo franziu a testa, olhando para Cora.
Mas Cora apenas questionava, sem grandes oscilações emocionais.
Aquela sensação era como lutar em vão dentro de um problema completamente sem sentido.
— Você já não me condenou como assassina? A Adelina já prestou queixa, não está tudo seguindo exatamente o plano dela, passo a passo?
— Assim que eu der à luz essa criança, a polícia poderá me levar de forma perfeitamente justificada. Quando a sentença sair, serei presa.
— Ah, e uma vez na prisão, que chance eu teria de escapar?
Cora perguntava de forma direta.
Ela já tinha plena consciência de cada possível cenário que aconteceria a seguir.
Bernardo foi tão confrontado por Cora que ficou sem palavras.
Era uma mistura de raiva e humilhação.
Mas, ao mesmo tempo, não tinha como refutar.
Por isso, o rosto de Bernardo estava sombrio.
— Chega, tudo isso é fruto da sua imaginação. Ela nunca foi esse tipo de pessoa. — Bernardo repreendeu Cora com fúria.
Mas ele sabia que não era apenas para defender Adelina.
Era puramente o desconforto de ser desmascarado por Cora.
E mais ainda, o incômodo com a forma como Cora o analisava tão bem.
As palavras de Bernardo não impediram que Cora continuasse olhando para ele com tranquilidade.
— Ela não é? — Cora não desviou o olhar de Bernardo.
— Ela pretende me deixar em paz? É assim que se deixa alguém em paz? — Cora sorriu repentinamente.
— Não foi ela que, passo a passo, me encurralou?
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