Adelina piscou, forçando um olhar inocente:
— Não fique tão alterada. Eu só estou dizendo a verdade. Bernardo não vai gostar nada disso.
Sua voz voltou a ficar doce, garantindo que todos ao redor ouvissem claramente.
Como se ela estivesse tentando consolar a moça o tempo todo.
Mas suas tentativas pareciam não surtir efeito.
E que Cora, irracional, estivesse descarregando todo o seu ódio nela.
— Eu sei que você está angustiada. Volte para o seu quarto, eu vou ligar para o Bernardo, está bem? — continuou Adelina.
Aquele teatro nojento.
Somado às imagens cruéis do sofrimento de Nicolas.
Cora sabia que o que ela descrevia era, provavelmente, apenas uma fração da dura realidade.
Cora enlouqueceu de vez.
— Adelina, se acontecer alguma coisa com o Nicolas, eu nunca vou te perdoar! — gritou, empurrando a mulher com toda a sua força.
As duas começaram a se atracar.
Os movimentos de Cora se tornaram cada vez mais bruscos.
Seu estado emocional explodiu.
De repente, todos no saguão ouviram o grito de Adelina:
— Ai, que dor!
Ela havia sido empurrada por Cora contra um pilar de pedra.
O impacto causou um corte profundo em sua testa, e o sangue jorrou, manchando a coluna de mármore.
A coluna branca foi manchada de vermelho.
O caos se instaurou imediatamente.
Zander agiu rápido:
— Rápido, levem a Sra. Botelho para o hospital imediatamente.
Adelina havia simplesmente desmaiado.
Quer estivesse fingindo ou quer tivesse apagado de verdade.
Nem Zander nem os empregados da Família Pereira podiam arriscar pagar para ver.
Especialmente porque ela ainda estava em seu período de resguardo após a recente perda de seu bebê e não podia sofrer traumas físicos.
Os criados a levaram às pressas para o hospital.
Enquanto isso, os seguranças imobilizaram Cora.
— Me soltem! Me soltem! — gritava ela, ainda frenética.
Dessa vez, os guardas não hesitaram em segurá-la com firmeza.

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