No entanto, ele escondia isso muito bem.
Essa faceta de Bernardo deixava Adelina tensa.
Seu braço instintivamente envolveu o dele, num gesto silencioso de quem marca território.
Bernardo não se desvencilhou.
Ele apenas abaixou os olhos para encará-la.
— Vou com você até a suíte no segundo andar. Se não gostar da decoração, nós trocamos tudo — disse ele, com um tom casual.
Isso era o mesmo que entregar todo o poder de decisão a ela.
E, ao mesmo tempo, uma humilhação profunda para Cora.
O desgaste físico de Cora não chegava aos pés daquele assédio psicológico.
Bernardo estava destruindo o orgulho dela pedaço por pedaço, sem lhe conceder um pingo de dignidade.
Parecia que ele só ficaria satisfeito no dia em que ela finalmente desabasse.
Aquela inimizade, que deveria ser apenas entre Cora e Adelina.
Havia se transformado num embate direto entre Bernardo e a esposa.
Adelina era inteligente demais para não notar isso.
Mas, na superfície, ela mascarava perfeitamente suas percepções.
— Bernardo, tem certeza de que posso ficar no segundo andar? Aquele quarto era de vocês... — comentou Adelina, cheia de dedos.
— Se eu disse que pode, então pode. Entendido? — Bernardo foi direto, cortando o drama.
— Tudo bem — ela assentiu.
Depois disso, ele voltou seu olhar para Cora.
— E você, suba e livre-se de toda aquela tralha — ordenou ele, pausando a cada palavra.
Cora não respondeu, apenas continuou de pé.
Aquela postura só irritou Bernardo ainda mais.
Dessa vez, ele marchou na direção dela.
Instintivamente, Cora deu um passo para trás.
— O que foi? Vai ficar calada? Quem te deu o direito de me ignorar? — esbravejou Bernardo.
Sem querer estender o conflito, Cora respondeu com submissão:
— Sim.
Quanto mais complacente ela se mostrava, mais insatisfeito ele ficava.
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