O mordomo voltou a olhar para Cora.
Cora já havia recobrado a postura.
Mesmo estando em clara desvantagem, ela se mantinha digna, sem demonstrar submissão excessiva nem arrogância.
— Zander, pode me chamar apenas de Cora — disse ela, suavizando a tensão no ambiente.
— Certo — Zander assentiu.
Em seguida, ele conduziu Cora para longe dali.
Mas assim que o mordomo deu as costas, a voz doce de Adelina ecoou.
Uma doçura que carregava, no entanto, um tom de preocupação nitidamente falso.
— Bernardo, ela está grávida. Não seria ruim tratá-la assim? — Adelina ergueu o rosto, questionando-o.
Como se Adelina, a verdadeira suposta vítima da história.
Estivesse agora pagando o mal com o bem, agindo como uma santa complacente.
Aquela atitude a fazia parecer generosa e de alma nobre.
Transformando Cora na grande vilã mesquinha.
— O que há de ruim nisso? Querida, não se preocupe com essas coisas — Bernardo a consolou em voz baixa. — Não tenha pena dela. Tudo o que está passando agora é consequência de seus próprios atos.
Adelina mordeu o lábio inferior e, por fim, não disse mais nada.
Bernardo, sempre cuidadoso, guiou Adelina até o sofá para que se sentasse.
— O seu quarto será a suíte principal no segundo andar — continuou ele.
Um brilho de surpresa cruzou o olhar de Adelina.
Afinal, a suíte principal no segundo andar era o quarto de Bernardo.
E, na verdade, era o antigo quarto do casal, onde ele e Cora haviam passado a lua de mel.
Mesmo que eles raramente voltassem ali, aquele cômodo sempre fora mantido intacto para os dois.
A atitude de Bernardo agora era, sem dúvida, uma validação oficial do status de Adelina na casa.
E uma humilhação direta para Cora.
Ao ouvir aquilo, Cora permaneceu em absoluto silêncio.
No passado, casar-se com Bernardo fora a maior alegria de sua vida.
Mesmo sabendo que ele nunca havia dado muita importância ao casamento.
Ela se dedicara com todo o coração para decorar aquele quarto de casal.
Cada detalhe, cada objeto ali dentro carregava um pedaço do seu carinho.
Ao longo dos anos, pelo menos nisso, Bernardo a havia respeitado.
Nunca havia interferido na decoração.
Mas agora, tudo isso estava sendo destruído pelas próprias mãos dele.
Seria mentira dizer que Cora estava completamente imune àquilo.


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