Afinal de contas, quantas vezes na vida a gente tem sete anos para dar a alguém?
Imersa nesses pensamentos, Cora ficou estranhamente quieta.
Ela não desviou o olhar; apenas continuou encarando Bernardo.
Bernardo deu um sorriso quase imperceptível e, finalmente, soltou o braço dela.
Cora deu um passo para trás imediatamente.
Ele não pareceu se importar.
Tomando a iniciativa, ele serviu um copo de água para ela e disse:
— Beba um pouco de água, enxágue a boca.
Aquela gentileza repentina era algo com que Cora não conseguia se acostumar.
Ela não fez questão de aceitar a água que ele oferecia.
— Não preciso, eu mesma me viro. — Cora recusou friamente.
Seus olhos continuavam fixos nele, queimando com intensidade:
— Bernardo, que nova maneira você inventou para me torturar agora?
Como diz o ditado, quem já foi mordido por uma cobra tem medo até de corda.
A ternura dele era algo que ela costumava desejar profundamente no passado.
Mas agora, essa mesma ternura parecia um abismo pronto para engoli-la inteira a qualquer momento.
Ela tinha medo.
Bernardo olhou silenciosamente para o copo de água intacto em sua mão.
Com o movimento brusco de Cora, um pouco da água acabou espirrando para fora.
Seu olhar escureceu ligeiramente, mas, surpreendentemente, ele não ficou com raiva.
Ele nem sequer tentou forçá-la e simplesmente colocou o copo de lado.
Cora já estava se limpando sozinha.
Os dois estavam dividindo o mesmo espaço, mas pareciam linhas paralelas que nunca se cruzavam.
Mesmo depois de terminar de se lavar, ela continuava extremamente tensa.
Após um tempo de silêncio, foi Bernardo quem falou primeiro novamente:
— Por que você vomitou de novo? Os enjoos não deveriam parar depois do terceiro mês? Está sentindo algum desconforto?
Havia uma preocupação genuína naquelas palavras.
Na visão de Cora, no entanto, aquela preocupação não era com ela, mas sim com o bebê que carregava.


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