Se fosse antes, ele teria sentido um aperto no peito.
Mas agora, Bernardo sentia uma irritação inexplicável.
Somado a tudo o que havia acontecido recentemente, sua paciência com Adelina havia se esgotado.
Por fora, no entanto, ele não deixou transparecer.
— Bernardo... — A voz chorosa de Adelina tornou-se mais evidente.
— Hum. — Desta vez, Bernardo respondeu com frieza.
Adelina sempre fora uma pessoa sensível; era impossível que não percebesse a mudança.
Diante disso, em pânico, ela tentou agradá-lo:
— Sinto sua falta.
Bernardo não disse nada, apenas continuou ouvindo.
Se fosse no passado, ele a teria consolado e dito que também sentia a falta dela.
Mas agora, ele parecia completamente indiferente.
Adelina ficou ainda mais assustada e murmurou:
— O bebê não tem se comportado muito bem ultimamente, está muito agitado todos os dias. Quando você estava aqui, ele ficava tão calmo. Acho que o bebê também está sentindo a falta do papai.
Ela fez uma pausa e perguntou:
— Bernardo, você não quer vir ver o bebê?
As palavras foram sutis, mas cada uma delas era um apelo desesperado para que Bernardo fosse a Boston.
Para Adelina, o único lugar seguro era ao lado de Bernardo.
Agora, tudo parecia estar saindo do controle.
Bernardo entendeu a intenção perfeitamente, mas suas palavras soaram muito mais frias.
— Adelina. — Ele a chamou pelo nome.
— Estou aqui. — Ela respondeu, dócil.
— Eu sempre estive no mesmo lugar, esperando por você. — Bernardo pronunciou cada palavra com clareza.
Essa frase fez o rosto de Adelina empalidecer instantaneamente.
O significado era claro: ela deveria voltar para Lagoa Cristalina, e ele definitivamente não tomaria a iniciativa de buscá-la em Boston.
Parecia que tudo estava dando errado para os planos de Adelina.
O pânico de não saber o que fazer tornava-se cada vez mais evidente.
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