O bebê em sua barriga, que mal havia se acalmado, começou a se mover imediatamente.
A mão de Cora foi instintivamente para a própria barriga.
Sempre que o bebê ficava agitado, bastava que ela colocasse a mão sobre a barriga para que ele se acalmasse.
Era a conexão de coração entre mãe e filho.
Bernardo apenas observava com um olhar pesado, sem dizer nada.
— Ah! — Cora soltou um grito repentino, e suas sobrancelhas se franziram profundamente.
O olhar de Bernardo mudou.
E então ele notou.
Era o bebê chutando Cora.
Na cama, Cora usava uma camisola que acabou subindo quando ele a puxou, deixando a barriga exposta.
Cora era magra e a pele da barriga era muito fina.
Durante a consulta pré-natal, o médico tinha explicado claramente: a pele era fina e o bebê bem desenvolvido.
Além disso, como o bebê já estava grandinho, a força do chute não era pouca.
Bernardo conseguiu ver claramente o contorno do pezinho do bebê pressionando a pele.
Cora estava acariciando exatamente aquele lugar.
Mas, quanto mais ela acariciava, mais alegre o bebê ficava.
Cora, no entanto, mantinha-se sempre gentil:
— Bebê, comporte-se, a mamãe está aqui, seja bonzinho.
Ela tentava acalmar o bebê na barriga, sem se importar com a presença de Bernardo.
Era um contraste gritante com a forma como ela o tratava antes.
Enquanto acalmava o bebê, os cantos dos lábios de Cora até se ergueram em um sorriso.
Não era preciso ver os olhos dela para saber o quanto de ternura havia em seu olhar.
Era o puro amor materno.
E o bebê na barriga dela era filho de Bernardo.
O olhar de Bernardo escureceu levemente, e emoções complexas passaram rapidamente por seus olhos.
Como se perdesse um pouco o controle, ele abriu os lábios finos e perguntou:
— Esse garotinho atrevido costuma chutar você assim?


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