Mas, no momento em que quase a tocou, sua mão parou no meio do ar.
Bernardo praguejou baixinho, sentindo uma estranheza em si mesmo — um sentimento por Cora que não deveria existir.
Ah, absolutamente impossível.
Logo, Bernardo se acalmou e seu olhar voltou a ser frio.
Aquela estranheza havia sido completamente ocultada.
Mas, por estar tão perto de Cora, foi inevitável que acabasse encostando nela.
Quase como um reflexo condicionado, no momento em que Bernardo a tocou, ela começou a se debater inconscientemente.
— Não, não me toque...
Entre as palavras, transparecia toda a sua aversão a Bernardo.
Ela sequer abriu os olhos, tomada por um pavor indescritível dentro do pesadelo.
— Bernardo, eu odeio você... — Cora continuava a murmurar durante o sono.
Essas palavras fizeram o olhar de Bernardo escurecer instantaneamente.
Ele cerrou os punhos, fazendo as articulações estalarem, e o ar no quarto principal pareceu ficar rarefeito.
Provavelmente porque Bernardo estava perto demais.
Cora percebeu algo e, sensível, abriu os olhos.
Ao ver Bernardo novamente, ela se tornou ainda mais vigilante.
Sem pensar duas vezes, recuou passivamente até encostar na cabeceira da cama.
Aquele era o ponto mais distante de Bernardo.
— Bernardo, o que você vai fazer? — Cora perguntou, tensa, com cada palavra carregada de repulsa.
Aquela atitude de Cora deixou Bernardo extremamente irritado.
— O que eu vou fazer? — Bernardo retrucou de forma sombria.
Cora não respondeu.
Ela sabia muito bem que, na frente de Bernardo, qualquer coisa que dissesse seria considerada um erro.
Manter o silêncio era a opção mais segura.
— Cora, você é minha esposa, qualquer coisa que eu faça é perfeitamente justificável. — Bernardo foi direto ao ponto.
Assim que as palavras caíram, a mão de Bernardo já havia agarrado o pulso de Cora.
Aquele único movimento fez com que todas as memórias do passado inundassem a mente dela instantaneamente.
O fundo dos olhos de Cora revelava medo.

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