A porta do carro bateu e Bernardo a encarou sombriamente:
— Está satisfeita agora?
— Bastante. — a voz de Cora soava com uma lentidão indolente.
— Cora, você é desprezível! — Bernardo foi ríspido.
— Sim, eu sou desprezível. E mesmo sendo tão desprezível, você não pode fazer nada contra mim agora, não é? — Cora o encarou frente a frente.
Bernardo ergueu a mão e desferiu um tapa pesado no rosto de Cora. O impacto a jogou contra o encosto do banco, mas ela continuou sem demonstrar intenção de implorar.
— Eu fiz o que você pediu. A partir de agora, você ficará confinada na mansão até essa criança nascer em segurança. — Bernardo declarou diretamente. Ele nem sequer se dava ao trabalho de fingir polidez na frente de Cora.
— Fique tranquila. Quanto a Nicolas, permitirei que você o veja uma vez por semana. — ele concluiu.
Cora não respondeu, permanecendo em silêncio. No entanto, ela conhecia bem aquela sensação de ter a alma transformada em cinzas.
Bernardo sequer lhe dava um pingo de esperança, enterrando-a profundamente no inferno, sem lhe deixar margem para reagir. Contudo, na superfície, ela permanecia tranquila.
Seu olhar para ele parecia ainda mais arrogante:
— Só quero que você se lembre da promessa que me fez.
A postura de Cora continuava ereta; ela ainda não cedia. Porque já não fazia sentido algum.



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