Bernardo abaixou o olhar, escondendo muito bem as próprias emoções.
Pelo menos diretamente, ele nunca faria Adelina passar por qualquer constrangimento.
Mas a insistência dela em tocar naquele assunto o deixava irritado.
Como se houvesse uma insinuação implícita.
Subitamente, sua paciência se esgotou:
— Estou um pouco ocupado agora, nos falamos mais tarde.
O tom de Bernardo soou seco.
Sendo alguém tão inteligente, Adelina obviamente percebeu a impaciência do homem.
Ela respondeu no mesmo instante:
— Desculpe, não deveria ter te ligado agora. Pode voltar ao que estava fazendo.
— Certo. — Ao notar a compreensão dela, Bernardo assentiu com alívio.
Logo em seguida, Adelina desligou.
Ele largou o celular de qualquer jeito em cima de um móvel.
Olhou para Cora com uma expressão fria e questionou:
— Satisfeita agora? Como você queria, eu não vou atrás da Adelina. Portanto, mantenha-se na linha e cumpra com a sua parte do trato.
Cora estava surpresa.
Afinal, ela sabia melhor do que ninguém o quão importante Adelina era para Bernardo.
Nunca houvera exceções; entre as duas, ele sempre escolhia Adelina.
Mas desta vez...
Logo, porém, ela abaixou a cabeça e soltou uma risada autodepreciativa.
Cora não era ingênua ao ponto de acreditar que Bernardo havia feito aquela escolha por causa dela.
Tudo se resumia à criança em seu ventre.
Aquela era a verdadeira carta na manga.
Onde não há amor, nunca haverá.
Pelo menos, agora ela não precisaria se preocupar com Bernardo apunhalando-a pelas costas tão cedo; poderia se acalmar para resolver todos os problemas.
— O que eu prometi, eu naturalmente vou cumprir. — Ela o encarou, respondendo com serenidade. — Agora eu estou cansada, quero descansar.
Dito isso, Cora caminhou rumo ao quarto principal.


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