— Sim — Cora recuperou a compostura antes de responder, calmamente.
Mordendo o lábio inferior, ela ponderou por um instante e continuou:
— Estou indo ao hospital ver o Nicolas. Muito obrigada por isso.
Havia um tom um tanto rígido em sua tentativa de se mostrar submissa.
Bernardo certamente percebeu, mas optou por não desmascarar Cora naquele momento.
Ao permitir que ela visitasse Nicolas, a intenção era estabilizar o estado emocional dela.
Ele queria proteger a criança que ela carregava.
Havia uma sombra profunda e pensativa no olhar de Bernardo, muito bem disfarçada através da linha telefônica.
Ele apenas murmurou um hum indiferente e não disse mais nada.
O carro já havia estacionado em frente ao hospital.
— Cheguei, vou desligar agora — Cora tomou a iniciativa de quebrar o silêncio.
Assim que as palavras saíram de sua boca, ela desligou.
Não esperou sequer que Bernardo dissesse mais uma palavra.
Encarando a ligação encerrada, o semblante de Bernardo escureceu instantaneamente.
Como ela ousava desligar o telefone na cara dele?
No passado, sempre fora ele quem encerrava as chamadas.
Quando Cora recebia uma ligação dele, ficava radiante de alegria.
A felicidade em seus olhos era visível a olho nu.
Não era essa mulher distante e apática de agora.
O desconforto de Bernardo o atingiu em cheio, e ele chegou a sentir o impulso de ir até o hospital para confrontá-la.
Seu olhar tornou-se ainda mais denso.
Movido por esse impulso, ele realmente fez menção de caminhar em direção à saída.
Foi nesse exato momento que Wilson correu até ele, apressado:
— Sr. Pereira, a Adelina está procurando pelo senhor novamente. O senhor tem uma reunião em seguida, então não podemos demorar muito por aqui.
Wilson sabia, obviamente, que aquela era a festa de aniversário de Adelina.
Por isso, Bernardo havia reservado duas horas na sua agenda.



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