Cora terminou de se arrumar e saiu do quarto.
Assim que a viu sair, o mordomo caminhou em sua direção:
— Senhora, o café da manhã está servido.
Cora assentiu e sentou-se à mesa, comendo em silêncio.
Por mais que estivesse sem apetite, precisava se alimentar pelo bem do bebê.
Só quando terminou de comer tudo o que estava à sua frente e a criança parou de se agitar, ela sentiu um leve alívio.
— Vou sair daqui a pouco, não volto para o almoço — avisou Cora ao mordomo.
Não estava prestando contas de sua agenda, apenas não queria deixá-lo em uma situação difícil.
Cora sabia melhor do que ninguém o quão assustador Bernardo podia ser quando perdia a paciência.
Não queria que nenhuma pessoa inocente acabasse sofrendo as consequências por sua causa novamente.
— Certo, providenciarei o carro para a senhora — o mordomo assentiu com a cabeça. — Basta deixar que os seguranças a acompanhem.
Cora murmurou em concordância. Embora não gostasse da ideia, também não recusou.
Ela sabia que, naquele momento, essa era a vontade de Bernardo.
De fato, o simples fato de ele não a ter mantido em prisão domiciliar já era motivo para ser grata.
Provavelmente, dentro dessa relação conturbada, ele ainda havia deixado uma pequena margem de tolerância.
O mordomo preparou o carro rapidamente.
Ele fez questão de acompanhá-la até a porta.
Depois que Cora entrou no veículo, o mordomo falou de repente:
— Senhora, se quiser ir ver o seu irmão, basta pedir ao motorista que a leve até o hospital.
Aquelas palavras a deixaram atônita; ela mal podia acreditar no que estava ouvindo.
Afinal, no dia anterior ela havia implorado a Bernardo que a deixasse ver Nicolas.
E Bernardo havia recusado.
Agora, o mordomo estava lhe dizendo exatamente o oposto.
Obviamente, o mordomo não ousaria tomar essa decisão por conta própria. Só poderia ser uma ordem direta de Bernardo.
Cora ficou em silêncio, sem saber o que dizer no primeiro momento.
— Minha senhora, estas foram as ordens diretas do Sr. Pereira. No fundo, ele ainda se importa com a senhora. É só o temperamento dele que complica tudo; às vezes, ele não sabe como se expressar direito — o mordomo defendeu Bernardo.


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