Ricardo forçou um sorriso amarelo.
— Prefeito Rubens, isso não passa de um grande mal-entendido.
Rubens não queria esticar aquela conversa. Ele já estava ciente de que, desde que chegara a Rio Belo, Ricardo passara a assediar políticos e a formar alianças obscuras, demonstrando claras intenções de dominar a cidade.
O prefeito já nutria uma forte aversão por ele.
A família Xavier, por outro lado, era o oposto da família Âncora. Os Xavier eram discretos, conduziam seus negócios com retidão e frequentemente se dedicavam a obras de caridade e programas contra a pobreza.
Chegaram até a financiar a construção de pontes e rodovias, ajudando o governo local a superar momentos difíceis durante crises econômicas.
E agora, a nora da família Xavier estava sendo humilhada com armas apontadas para a sua cabeça na cidade dele.
Como prefeito, Rubens sentiu-se profundamente envergonhado. Se aquilo vazasse, ele seria motivo de chacota.
Foi então que o General Magnus se aproximou de Naiara. O olhar do comandante, outrora letal, demorou-se sobre o rosto da jovem. Era uma mistura de incredulidade, dúvida e uma fragilidade incomum.
Naiara sustentou o olhar dele, sentindo seu coração bater cada vez mais rápido.
Isso era real...?
— Naiara... — Depois de travar uma longa batalha interna, o homem finalmente conseguiu pronunciar o nome dela.
Naiara perdeu o equilíbrio e quase caiu.
O guarda-costas pessoal do General foi mais rápido e a amparou.
Os lábios de Naiara tremiam descontroladamente.
— Você é... o Magnus?
Aquele nome, que estava gravado em sua alma desde sempre, soou baixo, quase como um sussurro amedrontado. Ela temia que, se falasse alto demais, acordaria e o sonho se desmancharia.
O guarda-costas arregalou os olhos. Pela primeira vez na vida, viu o General Magnus — um homem austero, temido e que jamais demonstrava emoções — sorrir.
Um sorriso cheio de ternura e afeto.
Quem era aquela mulher? Por que o temido General a tratava com tamanha reverência?
Magnus curvou levemente os lábios, suavizando a voz o máximo que pôde.
— Eu sou seu pai.
Essas quatro palavras caíram como uma bomba atômica.
A sala inteira ficou em choque, as pessoas se entreolhando, atônitas.
Doeu muito.
Se doía, não era sonho. Mas por que parecia tão irreal?
Magnus estendeu a mão trêmula para tocar o rosto da filha. Se não tivesse ouvido a verdade da boca de alguém de extrema confiança, ele também não acreditaria que sua filha estava viva.
Como um pássaro assustado, Naiara recuou um passo, esquivando-se do toque dele.
Magnus escondeu a dor da rejeição.
— Naiara, eu sou o Magnus. Sou seu pai biológico.
Naiara balançava a cabeça, murmurando para si mesma:
— Não é... você não é...
Aquele homem que derramava sangue no campo de batalha, mas nunca derramava lágrimas, sentiu a garganta apertar e os olhos arderem ao ver o estado frágil e indefeso da própria filha.
Foi então que Belmira rompeu o cerco, correndo em direção a eles.
— Naiara, meu amor! É verdade, ele é o seu pai, Magnus! Lembra da foto que a madrinha te mostrou? Você esqueceu?!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...