A cuidadora sentiu-se injustiçada.
Há poucos instantes ela havia oferecido água morna, e ele reclamara de estar fria. Agora que a servira mais quente, ele se queixava de que ela escaldava.
O senhor Albuquerque era deveras difícil de agradar.
Diante daquele gênio, lhe restava apenas se recolher num canto, cabisbaixa.
Mesmo após despejar sua raiva, o incômodo persistia no peito de Lucas.
Sua memória vagou até as épocas passadas, quando adoecia e era acolhido pelos cuidados gentis e zelosos de Giovanna. Como ela não se comparava àquela profissional estabanada e inapta.
Com a paciência no limite, efetuou nova ligação à Letícia.
— Letícia, você não disse que entraria em contato com a Giovanna para ela vir cuidar de mim?
Ele havia tentado contactá-la diretamente, mas ela não lhe deu ouvidos.
Conhecendo as habilidades de Letícia, só lhe cabia recorrer a ela.
Letícia rebateu num tom rude:
— Eu liguei, mas ela disse que não tem tempo. Aliás, não é nada grave. Descanse por um ou dois dias e retorne ao trabalho. E se quiser companhia, ligue para a Sabrina.
Lucas não saberia explicar o porquê, mas seu anseio repousava unicamente em ter a presença de Giovanna.
Resmungou, emburrado:
— Deixa para lá. Eu não quero a companhia de ninguém.
Finda a ligação, a perturbação no humor de Lucas se mantinha intocada. E ele, então, comandou à profissional:
— Me leve lá fora para tomar um ar.
Resignada, a cuidadora apoiou-o até a cadeira de rodas e guiou-o porta afora.
Ao transpor a ala de enfermagem, seus olhos cruzaram com um vulto conhecido.
Era Giovanna!
Ela definitivamente ainda se preocupava com ele; tanto que, no fim, viera vê-lo.
De imediato, exigiu à cuidadora:
— Alcance a mulher de vestido azul claro bem ali na frente.
Acontece que, perto do posto de enfermagem, havia duas mulheres envergando a mesma tonalidade celeste.
A cuidadora, concluindo ser aquela com os atributos mais generosos, conduziu a cadeira de rodas em sua direção.
Sem se dar conta da presença de Lucas, Giovanna conduziu a enfermeira para dentro do quarto de Gustavo.
A outra mulher, por sua vez, seguiu em rumo aos elevadores.
Ao perceber o equívoco na rota, Lucas berrou, exaurido:
— O que você está fazendo? Eu falei para ir atrás da outra de vestido azul claro.
Só então a moça percebeu o mal-entendido e refizeram o percurso.
Porém, a silhueta de Giovanna já havia desaparecido há muito.
Lucas trincou os dentes:
— Ela com certeza ainda está aqui. Me empurre, vamos checar os quartos, um por um.
Conformada com o destempero, a moça engoliu um suspiro interno e recomeçou a empurrá-lo.
A enfermeira removeu a agulha de Gustavo.
— Está com medo que ele te veja comigo? — sondou, camuflando tudo numa máscara de frieza.
Giovanna esmiuçou:
— Eu só não estou a fim de passar aborrecimentos. Você nem imagina... eu já pedi incontáveis vezes que cada um seguisse o seu rumo, mas ele se faz de desentendido. O comportamento dele chega a lembrar a senhorita Melissa, em toda sua teimosia paranoica e prepotência arrogante.
Um sorriso velado brotou na fisionomia de Gustavo, embalado pelo claro nojo que pairava sobre a figura de Lucas na mente dela.
Lucas parou em frente à porta semiaberta.
— Me empurre lá para dentro — decretou.
O coração da profissional retumbou perante os luxos inerentes às alas de categoria VIP.
Importunar figuras ilustres abrigadas ali poderia lhes render complicações inimagináveis.
Frente às ordens ríspidas de Lucas, curvar-se ainda era a conduta prudente.
O leito, contudo, revelou-se vazio.
Franzindo a testa e em vias de recolher-se, ele notou que a porta do banheiro estava cerrada.
Ele ordenou à cuidadora:
— Empurre a porta do banheiro.
No abrigo íntimo daquele cômodo, os pulmões de Giovanna se apertaram.
A essência daquela aproximação já era nula, mas a descoberta repentina de ambos num exíguo banheiro desenharia um contorno que nenhuma explicação poderia desmanchar.
Gustavo espelhou o nervosismo a sua frente, com seus lábios exibindo um leve e genuíno riso.
Distante da própria percepção, as mãos dela ainda enlaçavam Gustavo, num aperto denso e irredutível.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Me Chamou de Estéril, Mas Eu Carregava o Herdeiro do Magnata
Não vão atualizar os capítulos liberados? Seis já sem atualização!...
Olá! Irão desbloquear? Caso não vão, gostaria de saber para desistir do livro, mesmo ele sendo muitoooooo bom !...
Por favor, o capítulo 191 consta como liberado, mas não está...
Teria como liberar os capítulos após o 191? Consta que estão livres, mas continua bloqueados...
Por favor, atualizem!...
Poxa, tá liberado até o 190 e depois pula pro 227 liberado.......