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Ele Disse Que Se Arrependeu romance Capítulo 231

Cícero desmaiou.

Ele caiu do lado de fora da casa onde Valentina e Luciano viveram.

Com febre alta, foi levado para a emergência de um hospital em Londres.

Permaneceu em coma por três longos dias.

Quando acordou, a médica negra, vestindo um uniforme azul de manga curta e segurando uma prancheta, apareceu diante dele e disse calmamente:

— O que você estava pensando? Não quer mais seus olhos e seu braço?

O olho direito estava infeccionado, e a inflamação havia piorado.

A ferida em seu braço direito não cicatrizava, transformando-se em uma cicatriz permanente, com marcas de queimaduras repetidas. A pele naquela área estava praticamente irrecuperável, de um vermelho escuro e corroída.

Por causa disso, as células de defesa do seu corpo foram rapidamente sobrecarregadas, e ele não conseguiu mais resistir.

Ele adoeceu.

Caiu.

Ou talvez, sua doença apenas tenha se agravado.

O céu de Londres estava cinzento, sem sol.

O estado de Cícero era doentio e sombrio.

Durante toda a manhã após despertar, ele não disse uma única palavra.

À tarde, Hugo entrou.

Diante de Cícero, deitado na cama do hospital, ele não conseguia dizer nada.

Não a encontravam.

Em nenhum lugar.

Todos os voos internacionais daquele dia foram verificados, mas sem sucesso.

Cícero apenas permaneceu sentado, imóvel, sem perguntar nem dizer nada.

No final da tarde, Hugo recebeu uma videochamada do mordomo.

O Velho Senhor levou um tempo para conseguir iniciar a chamada.

Com o celular no ouvido, ele perguntou:

— Quando o senhor Cícero volta? O pequeno senhor perguntou por ele.

Hugo não sabia o que dizer.

O pequeno Tadeu estava na ponta dos pés, com a cabeça inclinada, ouvindo atentamente ao lado do avô mordomo.

Ele ainda segurava o recipiente térmico que havia sido congelado.

Já haviam se passado vários dias, e mesmo que descongelasse, a comida não estaria mais boa para comer.

Mas o Velho Senhor notou como ele cuidava daquilo com esmero.

Corria até a geladeira várias vezes ao dia, agachava-se para olhar e inclinava a cabeça para perguntar:

— Vovô, os pés de porco não estragaram, não é?

O mordomo só podia balançar a cabeça e dizer que não.

Antes de sair, conversou com Hugo para entender a situação.

Como a ferida no braço parecia ter sido queimada repetidamente, a enfermeira precisava, por protocolo, confirmar se ele tinha histórico de ter sofrido bullying.

Apesar de aquele homem alto e imponente não parecer uma vítima, a enfermeira tinha que perguntar.

Hugo negou com a cabeça e, ao explicar a origem da ferida, mencionou o histórico de medicação de Cícero.

Ele usava medicamentos psiquiátricos há mais de uma década.

A enfermeira ficou em silêncio por alguns segundos e assentiu, compreendendo.

Cícero tomava remédios há muitos anos, sem nunca interromper.

Desde quando?

Parecia ter sido há muito, muito tempo.

Naquela época, Valentina o levara a um psicólogo, e Cícero mentiu diante do médico.

Seu transtorno de estresse pós-traumático não foi devidamente diagnosticado, apenas uma grave somatização foi identificada.

Valentina comprou os remédios para ele.

Tomando os remédios, ele melhoraria, e talvez não o chamassem mais de estranho.

Mas a doença de Cícero não melhorou, e ele continuou tomando os remédios.

Desde a morte de seus pais, quando foi identificar os restos mortais que a explosão de gás havia deixado quase em farrapos, seu corpo passou a sentir dores súbitas.

Desde então, todos os dias, Cícero esteve doente, variando apenas entre gravemente enfermo ou com dores mais leves.

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