Ao ouvir algo engraçado, os lábios de Valentina se curvaram em um sorriso.
Seu perfil era suave e sereno.
Mas, no segundo seguinte, ela ergueu a voz: — Sávio! Se atreva a espirrar água em mim de novo!
Sávio riu com vontade.
Já nem se lembrava de quantos anos novos haviam passado juntos.
Luciano, como antes, não resistiu e levantou o celular para registrar aquele momento acolhedor.
Depois de tirar a foto, ele deixou de ser apenas um espectador e decidiu se juntar àquela cena calorosa.
— O que teremos para o jantar hoje? Mini pastéis?
Luciano se inclinou, juntando os cabelos de Valentina que caíam sobre seus ombros e os prendendo habilmente, enquanto perguntava com uma voz suave.
Valentina pensou por um momento: — Que tal você me ensinar a fazer os pastéis, Luciano? Os seus são tão deliciosos que quero aprender o segredo.
Sávio gritou: — Eu também quero, eu também quero! Eu também!
Luciano: — Você quer o quê? Quer aprender também?
Sávio fez uma pausa, seu rosto com uma expressão inocente e fofa: — Não, eu também quero comer os pastéis.
Luciano: — ...
Valentina não conseguiu segurar e riu.
Foi uma noite muito comum.
Tão comum que, depois de jantar, Valentina foi ajudada por Luciano a treinar a perna ferida por meia hora.
Tão comum que Valentina e Sávio adormeceram no sofá assistindo a uma série, e Luciano foi cobri-los suavemente com um cobertor.
Se existisse uma lei de conservação de energia neste mundo.
Luciano pensou que, por aquele tipo de calor, ele estaria disposto a abrir mão de algumas coisas.
Coisas que, para ele, já não tinham importância.
Luciano se moveu com cuidado, sentando-se ao lado de Valentina. No instante em que se sentou, Valentina, quase adormecida, deitou a cabeça em seu colo, encontrando uma posição confortável para continuar dormindo.
Luciano hesitou por um momento e sorriu.
Ele afastou suavemente o cabelo do rosto dela e a cobriu novamente com o cobertor.
— Boa noite, Luciano.
Ele ouviu Valentina dizer, sonolenta e arrastada, e depois sua respiração se acalmou.
Luciano se inclinou lentamente, depositou um beijo em sua testa e respondeu em voz baixa: — Boa noite, Valentina.
…
No dia seguinte, Luciano apareceu novamente naquele restaurante.
Uiara também foi convidada por ele novamente. Ela não ficou surpresa e apenas disse: — Você finalmente se decidiu.
Luciano disse: — Para ser exato, agora é você quem precisa decidir.
Uiara: — Hum?
Luciano, com uma expressão neutra, disse: — Eu concordo em fingir um relacionamento com você para enganar nossos pais, mas, em troca, você também precisa aceitar minhas condições.
Uiara riu, irritada: — William, isso é claramente um acordo de benefício mútuo. Por que você fala como se eu estivesse te implorando?
A mulher, sem saída e pressionada por Isaías de várias formas, finalmente cedeu e se ajoelhou no chão, chorando e implorando para que Luciano não deixasse seu pai interná-la em um hospital psiquiátrico.
Luciano a observou de cima.
Por fim, agachou-se e, gentilmente, enxugou as lágrimas do rosto dela com um lenço.
Um rosto gentil, mas proferindo as palavras mais cruéis: — Desculpe, Lillian. Eu também sinto muito por você, mas não posso ignorar a situação. Você está doente e precisa de tratamento hospitalar. Como seu ex-marido, é meu dever cuidar de você até o fim.
E então, ele assistiu impassível enquanto os médicos a arrastavam, sem hesitar por um momento, com o rosto inexpressivo, parado em silêncio.
O Luciano daquela época era implacável e nada o assustava.
Mesmo ao romper com Isaías para se libertar da identidade de filho ilegítimo e de “Luciano”, ele não temeu.
Naquela época, Isaías, seu pai congressista, tinha os meios para bloquear todos os seus caminhos em Londres.
Mas Luciano resistiu, encontrou advogados que Isaías não podia influenciar e continuou, enfrentando obstáculos e falta de apoio em todos os lugares, mas ainda assim conseguiu construir uma reputação.
Por isso, Uiara nunca imaginou que ele abandonaria tudo o que conquistou com tanto esforço para vir para o Brasil com uma mulher comum, sem graça e ainda por cima deficiente.
O Luciano de agora...
Uiara não sabia como descrevê-lo.
Ele havia mudado muito.
Não agia mais com a mesma decisão e crueldade de antes. Por ter algo a perder, até mesmo uma simples decisão exigia uma consideração cuidadosa.
A rebeldia e os princípios que faziam parte de sua essência estavam quase desaparecendo.
Uiara teve um pressentimento: Luciano parecia estar verdadeiramente preso a essa mulher.

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