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Ele Disse Que Se Arrependeu romance Capítulo 215

A maior parte deste closet ainda estava ocupada pelas roupas de Valentina.

Coloridas, sóbrias, vestidos longos ou conjuntos.

Ele nunca pediu para que as jogassem fora, e ninguém nunca lhe perguntou se deveriam ser descartadas. Assim, as roupas permaneceram ali.

Entre os vestidos longos, Cícero pegou um dos seis ou sete ternos, um paletó preto. Como sempre, ele o vestiu em frente ao espelho do closet.

Atrás dele, ao seu redor, aqueles vestidos longos permaneciam silenciosamente pendurados, imóveis, mudos.

O trajeto da mansão para a empresa levava cerca de quarenta minutos, com doze semáforos.

Cícero, de cabeça baixa, analisava documentos e relatórios.

No banco da frente, Hugo continuava a relatar os assuntos do dia, um dia comum como qualquer outro.

Ao chegar na empresa, ele participou de uma breve reunião.

Os altos executivos da empresa não disseram nada na sua frente, mas começaram a conversar assim que ele saiu.

Recentemente, o Sr. Cícero havia assumido muitos projetos ao mesmo tempo, de forma ainda mais agressiva e implacável do que antes.

Os projetos eram bons para o Grupo Pacheco, mas em excesso, representavam pressão e aumentavam a incerteza.

Ninguém sabia o que ele pretendia.

Mas ninguém duvidava de sua dedicação ao Grupo Pacheco.

Não era lealdade, mas sim a ambição de tomar o Grupo Pacheco para si.

Por mais de uma década, Cícero se dedicou de corpo e alma ao Grupo Pacheco. Sob seu comando, o grupo cresceu passo a passo, apoiando a equipe de Ignácio no desenvolvimento de novos projetos médicos nos Estados Unidos, tornando-se sua mais sólida fonte de recursos.

Mesmo que não fosse lealdade, tal ambição era suficiente para levar o Grupo Pacheco a novos patamares.

Eles não se importavam se o Grupo Pacheco mudaria de dono, apenas em quem lhes permitiria ganhar mais e por mais tempo.

E os fatos provavam que a capacidade de Cícero era de fato superior à do antigo casal Pacheco. Muito superior.

A reunião interna da empresa terminou, e Cícero viajou para outra cidade para outra reunião.

Os capilares de seu olho ainda não haviam se recuperado, e o olho direito continuava um pouco vermelho. Cícero sentou-se na primeira fila da reunião, com uma aparência de quem estava bem-educado e ouvindo atentamente.

Mas Gualter Dantas, que o conhecia bem, sabia que aquele garoto não estava prestando atenção em quase nada.

Cícero disse: — Se nos sentarmos juntos agora, amanhã sairemos nos jornais.

Afinal, a relação deles ainda era a de traído e amante.

Gualter bufou. — E por que eu teria medo? Quem deveria ter medo é você. Você se importa tanto com sua reputação que amanhã os repórteres vão te chamar de covarde. Seu rival te provocando ao lado, e você nem se atreve a me bater.

Quanto mais falava, mais Gualter se animava, chegando a rir sozinho.

Cícero ignorou suas palavras, como se fosse surdo.

Gualter olhou para o olho dele com curiosidade, depois se virou para Hugo: — O que aconteceu com o seu chefe? Perdeu um olho e virou um mutante?

Antes, Cícero já não era de falar muito, mas agora parecia visivelmente mais sombrio.

Hugo não se atreveu a dizer nada.

Após a reunião, talvez por um movimento mais amplo do braço ao se levantar, ou pela força excessiva ao apertar a mão de alguém, o braço de Cícero latejava com uma dor incômoda, quente e persistente.

Ele sentiu que precisava tomar mais remédios para parar de reviver o passado.

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