Ele possuía a essência de Valentina.
Cícero o observou em silêncio por um momento. Quando Tadeu terminou de enrolar a atadura e levantou a cabeça, percebeu que o pai o estava olhando. Assustado, ele caiu sentado no chão, piscando para o pai, um pouco atordoado.
Tadeu se levantou lentamente, apoiando-se. Ele colocou os frascos de remédio caídos de pé e recolheu os comprimidos um por um.
— Estou indo para a escola, pai. — Ele tampou os frascos e, sem esperar que Cícero dissesse mais nada, virou-se e desceu as escadas.
O pequeno estava muito ocupado naquela manhã. Correu apressadamente escada abaixo, olhou para o relógio de pulso: — Gastei apenas cinco minutos, ainda tenho doze. Vovô, por favor, pode embalar meu pão para viagem? Eu como no caminho e ainda posso tomar leite de soja na porta da escola.
O mordomo riu. — Certo.
Ele correu ofegante, tirou o cachecol caro de marca e o pendurou de volta, pegando em seu lugar o cachecol amarelo, simples e de costura um tanto grosseira, e o colocou.
Nesse momento, ele recebeu uma mensagem.
Pensou que fosse Sávio o importunando novamente.
Inicialmente, não queria responder, mas hesitou por alguns segundos, com medo de que o garoto irritante lhe enviasse uma enxurrada de figurinhas, o que seria barulhento.
Finalmente, ele abriu o relógio.
E viu uma mensagem de Valentina.
[Tadeu, você tem tempo na quinta-feira? A tia quer te levar para comer algo gostoso.]
Tadeu piscou rapidamente, tentando digitar uma resposta.
Mas, na pressa, seus dedos tocaram a tela várias vezes sem conseguir abrir o teclado. Tadeu ficou ainda mais ansioso.
Apertou apressadamente o botão de áudio.
— Sim.
Uma mensagem de voz curta, de apenas um segundo, foi enviada às pressas.
Depois de enviá-la, Tadeu, ainda inseguro, ouviu-a várias vezes até finalmente ficar satisfeito.
— Vovô, vamos sair.
O rosto pequeno e redondo, os olhos redondos e fofos, a parte inferior do rosto coberta pelo cachecol amarelo, o deixavam delicado e adorável.
Cícero trocou a camisa suja e tomou um banho.
Ao ir ao closet para trocar de camisa, seu olhar pousou inconscientemente na prateleira ao lado.
Lá, havia uma pequena fileira de prendedores de gravata que não eram usados há muito tempo.
Alguns, devido à inevitável deterioração do material, já estavam enferrujados e manchados, como se tivessem secado.
As roupas e acessórios de Cícero foram, nos anos anteriores, comprados por Valentina. Agora, essa tarefa era de Hugo.
Cícero também havia instruído que comprassem apenas roupas, sem a necessidade de adicionar acessórios.
Então, o que restava ali eram peças que Valentina havia comprado para ele muitos anos antes.
Prendedores de gravata, Valentina.
Abotoaduras, Valentina.
E também...

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