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Ele Disse Que Se Arrependeu romance Capítulo 211

Havia outra pessoa que, como ele, não dormira bem naquela noite.

No meio da noite.

Cícero saiu do quarto e foi para o escritório.

Mas nem mesmo o trabalho conseguiu acalmar sua mente por completo.

Dali, era possível ver a vista noturna e extravagante da Cidade Y.

O cansaço prolongado quase o fez ter alucinações.

Sua mente estava turva, seu cérebro, confuso.

Ele se lembrava de muito tempo atrás, talvez no ensino médio, ou talvez no primeiro ano da faculdade; não conseguia se recordar exatamente quando, apenas daquele rosto jovem, imaturo e travesso em sua mente.

Ela adorava fazer amigos e estava sempre cercada por eles. Bastava sair para um passeio e, na volta, já tinha conhecido um novo grupo de pessoas.

Ela também convidou aquele grupo para um churrasco no terraço.

Cícero não gostava muito daquele tipo de agitação. Sentou-se ao lado, assando a carne para ela e, quando terminou, foi para um canto mais afastado, sozinho, beber cerveja e sentir o vento.

O vento agitava a barra de seu casaco quando um corpo macio se apoiou em suas costas, colado à sua espinha.

Valentina usava uma blusa preta justa que realçava sua elegância e uma calça jeans larga. Seus braços longos envolveram o pescoço dele por trás, e sua voz, íntima e um pouco triste, soava levemente embriagada: — Cícero, você ficou chateado esta noite?

Cícero não disse nada.

Ao contrário de Valentina, ele geralmente não era de muitas palavras.

Valentina encostou a testa na nuca dele e sussurrou: — Desculpe, eu queria apresentá-los a você... — Ela ficou em silêncio por um momento, suspirou, e no fim não disse o que queria.

Mas Cícero, na verdade, tinha ouvido tudo.

As pessoas disseram que ele parecia estranho.

Disseram que ele parecia muito esquisito, como uma aberração.

Solitário, silencioso, calado.

Seu rosto quase não tinha expressão. Do começo ao fim, ele parecia uma máquina entorpecida, que ocasionalmente segurava o casaco de Valentina, pegava água para ela, dava água para ela beber.

Alguém tentou ser amigável e o cumprimentou, mas ele permaneceu inexpressivo, quase sem responder.

Isso assustava as pessoas.

Naquela noite, Valentina pareceu realmente desapontada. Enquanto ele a carregava nas costas para casa, ela chorou. Mesmo sem soluçar, Cícero sentiu a umidade em sua camiseta.

Sob a luz de um poste, ele parou.

Ele não queria ver as lágrimas de Valentina.

Por quê?

Cícero não sabia por quê.

O Cícero de dezoito anos supôs que talvez fosse porque não queria que ela molhasse suas roupas com lágrimas, pois teria que lavá-las com as mãos rachadas ao voltar para casa, e a água com sabão em suas feridas arderia um pouco.

Naquele dia, depois de levar Valentina para casa, ela deitou na cama, ainda com vestígios de lágrimas nos cantos dos olhos.

Ela chorava com muita facilidade.

Às vezes, assistindo a uma novela, ela chorava várias vezes.

Cícero pegou um lenço para enxugar suas lágrimas, cobriu-a com o cobertor e, quando estava prestes a sair, ela de repente agarrou seu braço e disse em um sussurro: — ...Não vá, durma comigo.

Quando ela dizia para dormir com ela, era como na época em que assistia a filmes de terror e tinha pesadelos, e ele ficava sentado ao lado de sua cama a noite toda, fazendo-lhe companhia.

Cícero ficou em silêncio por alguns segundos. — Você não tem medo de mim?

— Por que eu teria medo de você?

— Não acha que eu sou esquisito?

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